Um número anda circulando com cara de diagnóstico: 48% das skills de agentes de IA são inseguras. Fui atrás da medição que sustenta esse número e encontrei outra coisa — não um estudo, mas o post de um blogueiro de marketing; e, dois meses depois, um levantamento institucional que mediu o mesmo ecossistema com três instrumentos ao mesmo tempo e obteve 6,57%, 7,75% e 48,71% na mesma amostra.
Os três números estão certos. É essa a notícia. O que muda de um para o outro não é o catálogo de skills — é a régua. E quando três réguas medem a mesma sala e discordam desse tamanho, a primeira pergunta deixa de ser "quantas skills são inseguras" e passa a ser "o que exatamente cada uma dessas réguas está chamando de insegurança".
Vale a pena descer nesse detalhe, porque dele cai de graça uma coisa mais útil que a manchete: o risco de instalar skill de estranho é real, está documentado, tem vítima com nome — e não é o que o "48%" está medindo.
Três termômetros na mesma sala
Imagine que você pendura três termômetros na mesma parede da mesma sala. Um marca 19 graus, o outro marca 21, o terceiro marca 34.
Sua primeira reação não é "a sala está com 34 graus". É desconfiar dos termômetros. E a segunda reação, se você for cuidadoso, é ir olhar de perto o que cada um mede: talvez um esteja no sol, talvez outro meça a temperatura da parede em vez do ar, talvez o terceiro esteja marcando qualquer coisa que se mexa perto dele.
Repare que a figura não diz qual termômetro está errado. Nenhum deles precisa estar quebrado para que isso aconteça: basta que meçam coisas diferentes e que os três chamem o resultado de "temperatura". A discordância não é defeito de fabricação — é definição diferente do que se está medindo. Guarde os três tubos; eles voltam duas vezes, com números reais, mais adiante.
Troque "termômetro" por "scanner de segurança" e "sala" por "catálogo de skills", e você já entendeu o artigo inteiro.
O mesmo, com os nomes: por que instalar uma skill não é instalar uma biblioteca
Uma skill (habilidade) de agente é uma pasta com um arquivo de texto dentro. O arquivo se chama
SKILL.md, é Markdown puro, e diz em português — ou inglês, ou chinês — o que o agente deve fazer
e quando. Ao lado dele podem vir subpastas com scripts, documentos de referência e outros
recursos. Não há assinatura digital obrigatória, não há checksum, não há caixa de areia: é texto.
O jeito como isso é carregado é o que torna a coisa diferente de uma dependência de software
comum. A documentação oficial da Anthropic
descreve três níveis: o nome e a descrição da skill entram no contexto do modelo o tempo todo (uns
100 tokens — os pedaços de texto que o modelo lê e produz); o corpo do SKILL.md entra quando a
skill é acionada; e os arquivos de código só são tocados sob demanda.
O detalhe que importa está no fim dessa cadeia. Quando as instruções mencionam um script, o agente executa esse script pelo terminal, e o código nunca chega a passar pelo modelo — só a saída passa. Ou seja: a skill não roda num processo separado, com permissões próprias e limitadas. Ela vira instrução em linguagem natural que o modelo segue, usando exatamente as mesmas ferramentas que o agente já tem na sua máquina.
Repare no último quadro da cadeia: não há nenhuma fronteira ali. No Claude Code, a própria documentação da Anthropic registra que a skill tem acesso total à rede — o mesmo de qualquer programa rodando no seu computador. É por isso que a doc chama instalar uma skill de "instalar software", e não de "adicionar um arquivo de configuração".
Uma skill não é um dado que o agente lê; é uma instrução que ele obedece com as suas permissões. Essa é a frase que faz o resto do artigo fazer sentido — inclusive a parte em que os scanners discordam, porque cada um deles olha para um pedaço diferente dessa cadeia.
Antes de seguir, um esclarecimento que a cobertura em português tem atropelado: o catálogo do "48%" é o ClawHub, o registro oficial de skills do OpenClaw — um agente de código aberto criado por Peter Steinberger e hoje tocado pela OpenClaw Foundation. Não é da Anthropic e não é do Claude. O projeto inclusive já se chamou "Moltbot", nome adotado em janeiro de 2026 depois de uma reclamação de marca da própria Anthropic, e virou "OpenClaw" seis dias depois.
A fonte da manchete não é um estudo — e o filtro dela jogou fora mais do que manteve
A página que originou o número é alemã, foi publicada em 6 de abril de 2026 e se chama "ClawHub-Skills analysiert: 48 % mit Sicherheitsproblemen" ("Skills do ClawHub analisadas: 48% com problemas de segurança"). O autor é Finn Hillebrandt, que se apresenta como fundador da Gradually AI e "especialista em SEO e IA". Ele vende um curso de ChatGPT e mantém um clube pago. Não é pesquisador de segurança, e o texto não afirma que seja.
O site está fora do ar para leitura automatizada desde então — devolve erro 429 em todas as rotas que testei. Li a página no arquivo da internet, no instantâneo de 20 de maio de 2026, e é dessa versão que saem todos os números abaixo.
A alegação, em alemão: "Von 16.797 gescannten Skills haben 8.129 mindestens einen verbleibenden Sicherheitsbefund. Das entspricht 48,4 %."
Em português: "Das 16.797 skills escaneadas, 8.129 têm pelo menos um achado de segurança remanescente. Isso equivale a 48,4%."
Duas coisas se perdem entre esse parágrafo e a manchete que circulou.
A primeira é o denominador. As 16.797 skills não vieram do ClawHub: vieram de um espelho no GitHub, porque o marketplace bloqueou o autor com erro 429 depois de uns 168 downloads. E a própria página afirma que o catálogo tem "mais de 44.000 skills". A amostra é 38% do acervo que o próprio texto declara, tirada de uma cópia que pode conter skill já removida e não conter skill nova — limitação que o autor reconhece.
A segunda é o filtro. Antes de chegar aos 8.129, o scanner produziu 443.709 acertos brutos, e o autor descartou 261.451 deles como falso positivo. Sobraram 182.258. O filtro jogou fora 58,9% de tudo que o instrumento achou — e o maior item descartado, sozinho, é quase o dobro do resultado final.
Repare no maior item isolado dentro do descarte: são 160.889 casos de homóglifos em Markdown — caracteres que se parecem com outros. O autor explica, com todas as letras, o que eram:
"Viele Skills haben Dokumentation auf Chinesisch, Russisch oder Arabisch. Der Scanner erkennt die Zeichen dieser Sprachen als 'verdächtig', weil sie wie verschleierter Code aussehen. In Wirklichkeit ist es einfach eine Übersetzung."
Em português: "Muitas skills têm documentação em chinês, russo ou árabe. O scanner reconhece os caracteres dessas línguas como 'suspeitos', porque parecem código ofuscado. Na verdade é simplesmente uma tradução."
O instrumento que produziu a manchete confundiu documentação traduzida com código ofuscado 160.889 vezes, e só não estampou isso porque um filtro escrito depois o corrigiu à mão. Os outros dois maiores descartes são da mesma família: 54.034 exemplos de HTTP dentro de documentação e 46.528 trechos de código dentro de cercas de Markdown — isto é, código de exemplo num tutorial, marcado como código de exemplo.
Ainda assim, a ressalva mais importante está na própria página, e é do próprio autor:
"Das heißt nicht automatisch, dass diese Skills sicher sind. Es heißt nur, dass der Scanner mit seinen festen Regeln nichts mehr findet."
Em português: "Isso não significa automaticamente que essas skills sejam seguras. Significa apenas que o scanner, com suas regras fixas, não acha mais nada."
Essa frase qualifica a medição inteira e não sobreviveu ao título — nem ao alemão, nem à tradução que circulou. Não é desonestidade: é o que acontece com quase todo número que viaja. Já vimos o mesmo movimento com os "95% dos projetos-piloto de IA que fracassam", que saíram de 52 entrevistas.
Por fim, o que fez essa página virar fonte de terceiros é que ela não é fonte de ninguém. Contei os links externos dela no HTML: são sete, e nenhum é referência — o ClawHub, o LinkedIn do autor (duas vezes), outro blog dele, o clube pago dele, um grupo de Facebook dele e um pixel de contagem de leitura. Não há link para o scanner, para o código, para os dados brutos, nem para os cinco números de ecossistema que a página cita de passagem (44.000 skills, 12.400 desenvolvedores, 6,8% verificados, 2,3 milhões de instalações, 127 downloads por skill). Esses cinco aparecem sem origem declarada.
O levantamento que muda o eixo: três scanners, a mesma amostra, no mesmo dia
Em 31 de maio de 2026, seis pesquisadores da OpenClaw Foundation e da NVIDIA publicaram "ClawHub Security Signals: When VirusTotal, Static Analysis, and SkillSpector Disagree" ("Sinais de segurança do ClawHub: quando o VirusTotal, a análise estática e o SkillSpector discordam"). Eles tiraram um retrato do catálogo naquele dia — 67.453 versões públicas de skill, quatro vezes a amostra do blogueiro e, dessa vez, do registro oficial — e passaram três scanners diferentes em cada uma:
- VirusTotal, que checa reputação de malware conhecido no código empacotado;
- análise estática, que procura padrões de código perigoso;
- SkillSpector, da NVIDIA, que lê as instruções em linguagem natural e avalia risco de comportamento do agente — o que ele pede, que autoridade reivindica, qual o raio de estrago.
O resultado é a Tabela 3 do artigo, e é o coração desta reportagem:
| Scanner | O que ele olha | Skills positivas | Taxa sobre as 67.453 |
|---|---|---|---|
| Análise estática | padrões de código perigoso | 4.434 | 6,57% |
| VirusTotal | reputação de malware no código empacotado | 5.225 | 7,75% |
| SkillSpector (NVIDIA) | risco de comportamento nas instruções | 32.856 | 48,71% |
Mesma amostra. Mesmo dia. Mesma pergunta em português comum — "quantas skills têm problema?" — e uma razão de 7,4 vezes entre a resposta mais estreita e a mais larga.
Repare que é a mesma figura de antes, com os nomes reais nos tubos. O 48% da manchete alemã não está errado: ele é o termômetro mais largo dos três, e existe um de 6,57% ao lado dele medindo o mesmo catálogo. Escolher qual dos três vira manchete é uma decisão editorial, não um achado.
E há uma coincidência que merece uma linha só para ela: o blogueiro, com um scanner caseiro, numa amostra de 16.797 skills tirada de um espelho, em abril, chegou a 48,4%. O SkillSpector da NVIDIA, em 67.453 versões do registro oficial, em maio, chegou a 48,71%. Ferramentas, amostras, métodos e autores diferentes, o mesmo patamar. Isso não valida o "quase metade" — o que sugere é que "quase metade" é o que qualquer régua larga o bastante devolve quando aponta para este catálogo.
Os três apontam para a mesma skill em 0,69% dos casos
Se os três estivessem medindo a mesma coisa com sensibilidades diferentes, o mais largo conteria os outros dois: tudo que o VirusTotal acusasse, o SkillSpector também acusaria. Não é o que acontece. É aqui que o levantamento deixa de ser uma tabela e vira um argumento.
Das 67.453 versões, 35.600 (52,8%) têm pelo menos um sinal positivo. Dessas, 29.153 — 81,9% — são positivas em exatamente um scanner. Nos três ao mesmo tempo: 468 skills, ou 0,69% do total.
Repare no tamanho do bloco de baixo: 468 skills, a fatia em que os três instrumentos apontam para a mesma coisa, fina a ponto de quase sumir na figura. E repare na fatia logo acima dela, com 39,33% do catálogo — são as skills que só o SkillSpector acusa, sem que nenhum dos outros dois veja nada. Os quatro blocos somam as 67.453 exatas.
O artigo mede essa discordância de duas formas. A sobreposição bruta entre qualquer par de scanners (o índice de Jaccard, que compara o que dois conjuntos têm em comum) nunca passa de 0,104 — ou seja, nenhum par concorda sobre mais de 10,4% dos alarmes que os dois deram juntos. E o acordo corrigido pelo acaso, o kappa de Cohen — que desconta a chance de dois avaliadores baterem por sorte —, fica entre 0,045 e 0,082, o degrau mais baixo da escala de Landis e Koch, o que se traduz por "leve".
A conclusão dos próprios autores é uma frase curta:
"A single scanner is therefore a poor allow/block oracle."
Em português: "Um scanner sozinho é, portanto, um péssimo oráculo de liberar/bloquear."
Três instrumentos que apontam para a mesma skill em 0,69% dos casos não estão medindo graus diferentes da mesma coisa: estão medindo coisas diferentes. É a mesma lição que já apareceu aqui quando o placar de segurança de um modelo se revelou propriedade do par modelo-mais-ferramenta, não do modelo — e quando a contagem de modelos de linguagem existentes variou entre 274 e 403.420 conforme quem contava.
A inversão: onde o malware está de verdade, a régua larga apaga
Falta a parte que me fez escrever o artigo.
O ClawHub emite um veredito próprio para cada skill — um sistema chamado ClawScan pondera os três scanners e classifica em limpa, suspeita ou maliciosa. Na amostra: 61,9% limpas (41.743), 37,8% suspeitas (25.504) e 0,3% maliciosas (206).
Nas 25.504 suspeitas, o SkillSpector domina: acusa 75,3% delas, e é o único positivo em 56,3%. Faz sentido — é a região de "revise antes de confiar", que é exatamente o que ele mede.
Agora olhe o que acontece nas 206 com veredito malicioso:
| Scanner | Nas 25.504 suspeitas | Nas 206 maliciosas |
|---|---|---|
| VirusTotal | 12,7% | 72,8% |
| Análise estática | 12,0% | 12,6% |
| SkillSpector | 75,3% | 6,8% |
Repare que os tubos trocaram de altura, sem trocar de coluna. O termômetro que marcava quase metade do catálogo é o que quase não sobe aqui: o SkillSpector acusa 14 das 206 skills que o registro julgou maliciosas — 6,8%. Dito de outro jeito, 192 dessas 206 não têm nenhum apontamento dele. Quem sobe é o VirusTotal, com 72,8%, porque malware clássico mora no código empacotado, que é o que ele sabe ler.
Não é falha do SkillSpector. É o que ele foi feito para fazer — e o próprio artigo escreve isso na legenda da tabela, para que ninguém leia errado:
"SkillSpector advisories are risk signals, not maliciousness labels."
Em português: "Os avisos do SkillSpector são sinais de risco, não rótulos de maldade."
E a categoria "suspeita", que responde por 37,8% do catálogo, é definida no texto como "a review-before-trusting posture, not an abuse label" — "uma postura de revisar-antes-de-confiar, não um rótulo de abuso". Uma skill pode ter risco alto e ser perfeitamente legítima: pedir acesso amplo é aceitável quando está declarado e o usuário sabe o que está aprovando.
A régua que produz o número da manchete é justamente a que menos enxerga o que o registro considera malicioso — e há um detalhe final que fecha o argumento: em 24,3% dos vereditos maliciosos, isto é, 50 das 206, nenhum dos três scanners tinha acusado nada. O ClawScan chegou a "malicioso" por procedência, metadado e contexto de moderação. Se scanner fosse suficiente, essas 50 teriam passado.
O risco que sobra é real, e é outro
Nada acima diz que instalar skill de estranho é seguro. Diz que o "48%" não é a medida disso. A medida disso está em outro lugar, e é bem menos confortável.
Começa pela curadoria, que não existe. A documentação do ClawHub é explícita: "ClawHub is open by default: anyone can upload, but publishing requires a GitHub account old enough to pass the upload gate." — "O ClawHub é aberto por padrão: qualquer um pode subir conteúdo, mas publicar exige uma conta do GitHub velha o bastante para passar no portão de envio." Não há revisão humana antes de publicar. O escaneamento é posterior, e desde 1º de junho de 2026 é o ClawScan que o faz.
Depois vêm os casos com vítima, que são o dado que falta em quase toda cobertura:
| Caso | O que aconteceu | Escala |
|---|---|---|
| ClawHavoc | 12 contas subiram skills trojanizadas disfarçadas de bots de cripto e produtividade | 1.184 skills no mapeamento estendido do Antiy CERT (a divulgação inicial da Koi contou 341); uma conta sozinha com 677 |
| Clawsights | skill de "ranking de uso" rodava gh auth token e mandava a credencial para fora antes de o modelo ver o conteúdo | credencial do GitHub do usuário |
postmark-mcp | 15 versões idênticas ao original; na 16ª passou a copiar todo e-mail enviado, em cópia oculta, para o domínio do atacante | ~1.500 downloads, ~300 organizações potencialmente afetadas |
mcp-remote | falha permitia execução remota de código em quem se conectasse a um servidor malicioso (CVE-2025-6514, gravidade 9,6) | 437 mil+ downloads afetados |
Repare que a manchete de abril é o terceiro marco de uma sequência que começou em julho de 2025 — e que o último marco da linha é o que mais deveria preocupar quem se apoia em scanner.
Em 3 de junho de 2026, a Trail of Bits — consultoria de segurança com histórico de auditoria
em criptografia e software crítico — construiu quatro skills abertamente maliciosas e as passou
pelo detector do próprio ClawHub, pelo scanner da Cisco e pelos três scanners integrados ao
skills.sh. Todas passaram, e o relato deles é seco:
"These were not advanced attacks: it took us less than an hour to conceive and implement three of the four malicious skills."
Em português: "Não foram ataques avançados: levamos menos de uma hora para conceber e implementar três das quatro skills maliciosas."
O título da seção final do texto deles serve de resumo: "Don't outsource trust to a scanner" — "não terceirize a confiança para um scanner". Na mesma direção, o benchmark SkillVetBench mediu que detecção puramente estática deixa passar até 89% das ameaças que nascem de instrução em linguagem natural combinada com interação entre componentes.
Toda porcentagem publicada sobre skills inseguras é um piso, não um total — e o instrumento que define o piso é contornável em menos de uma hora por quem sabe o que está fazendo. Esse é o número que ninguém tem: a taxa de falso negativo em produção. Sem ela, não dá para saber o quanto qualquer um desses percentuais subestima o real.
O que eu faria com isso
Nada aqui recomenda pânico nem calma. Recomenda trocar a pergunta.
- Quando ler "X% das skills são inseguras", procure o instrumento antes do número. Um scanner de reputação de malware e um leitor semântico de instruções respondem coisas diferentes; a mesma amostra deu 6,57% e 48,71% no mesmo dia. Sem saber qual régua foi usada, o percentual não informa nada.
- Trate instalar skill como instalar software, não como copiar um arquivo de configuração. É o que a documentação da Anthropic recomenda, e a razão é a cadeia da segunda figura: o script roda com as suas permissões, não com as da skill.
- Leia o
SKILL.mdinteiro antes, e os arquivos ao lado dele. O caso Clawsights é o argumento: o comando que vazou a credencial rodava antes de qualquer defesa do modelo entrar em ação. Defesa no nível do modelo não intercepta o que executa antes do modelo. - Desconfie de skill que busca dado de URL externa — é a recomendação explícita da própria documentação, e é o vetor de três dos quatro incidentes da tabela acima.
- Não confie num scanner só. É a conclusão dos autores do levantamento, não minha: três instrumentos que apontam para a mesma skill em 0,69% dos casos significam que cada um deles, sozinho, é um péssimo critério de liberar ou bloquear.
Nota metodológica. Os números do levantamento da NVIDIA e da OpenClaw Foundation foram lidos por mim no PDF do arXiv 2606.01494, nas Tabelas 3, 4 e 5 e nas seções 5.3, 6.1 e 6.3 — não no resumo. Os números da página alemã foram lidos no instantâneo de 20/05/2026 do arquivo da internet, porque o site vivo devolve erro 429 desde então; não sei se a página mudou depois dessa data. A soma dos 443.709 acertos brutos e a fração de 58,9% de descarte são cálculo meu sobre os dois números que ele publica. A contagem de sete links externos é minha, feita no HTML salvo.
O que eu não fiz: não escaneei skill nenhuma por conta própria e não reproduzi nenhuma das medições citadas. Não consegui medir o total atual do ClawHub — a interface pagina de 200 em 200 sem contador e passou a devolver erro 503 depois de 5.545 skills contadas, então esse é um piso, não um total. E não existe, em fonte nenhuma que eu tenha achado, quantificação de prejuízo financeiro real: há contagem de pacote e de download, não de vítima que somou perda — a mesma lacuna que encontrei ao separar incidentes de deepfake com perda verificada dos demais.
Sobre os rótulos: o próprio artigo declara que os vereditos do dataset são "the registry's automated verdicts, not human-annotated ground truth" — vereditos automatizados do registro, não verdade conferida por humano. Por isso, em nenhum lugar deste texto está escrito "206 skills maliciosas", e sim "206 com veredito malicioso do registro". A distinção é a mesma que o artigo cobra da manchete.
Se você quiser conferir o principal número deste texto, são duas linhas — o PDF é aberto:
curl -sL https://arxiv.org/pdf/2606.01494v1 -o clawhub.pdf
pdftotext -layout clawhub.pdf - | grep -E "SkillSpector|VirusTotal|Static analysis" | grep "%"
A Tabela 3 aparece com as três taxas. Se der diferente do que está aqui, me mande — eu atualizo e credito.
Fontes
- Koc, V.; Erichsen, P.; Tomlinson, J.; Rivera, A.; Appel, M.; Paz, N. ClawHub Security Signals: When VirusTotal, Static Analysis, and SkillSpector Disagree. arXiv:2606.01494v1 [cs.CR], 31 mai. 2026.
- OpenClaw Foundation e NVIDIA. OpenClaw Collaborates with NVIDIA for Stronger Agent Skill Security, 1 jun. 2026.
- Hillebrandt, F. ClawHub-Skills analysiert: 48 % mit Sicherheitsproblemen, 6 abr. 2026 — instantâneo de 20 mai. 2026.
- Anthropic. Agent Skills overview — seção "Security considerations", consultada em 4 set. 2026.
- Judson, S.; Hess, T. The sorry state of skill distribution, Trail of Bits, 3 jun. 2026.
- Koi Security. ClawHavoc: 341 Malicious Skills Found by the Bot They Were Targeting, 1 fev. 2026; análise estendida do Antiy CERT.
- Datadog Security Labs. Malicious skills: supply chain risks in coding agents with dynamic context.
- Snyk. ToxicSkills: malicious AI agent skills on ClawHub, 5 fev. 2026.
- Hossain, I.; Puppala, S.; Lu, Z.; Talukder, S.; Jiang, N. Benchmarking Security Risk Detection and Verification in Open Agentic Skill Ecosystems. arXiv:2606.00925, 30 mai. 2026.
- The Hacker News. First Malicious MCP Server Found Stealing Emails, set. 2025; e Critical mcp-remote Vulnerability, jul. 2025.
- OpenClaw. Documentação do ClawHub, consultada em 4 set. 2026.
Verificado em 4 de setembro de 2026 contra o PDF do arXiv 2606.01494, o instantâneo de 20/05/2026 da página da Gradually AI, o anúncio da OpenClaw Foundation de 01/06/2026 e a documentação oficial de Agent Skills da Anthropic. Os arquivos brutos usados nesta apuração estão salvos.