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מאמרים פורסם ב 23 באוקטובר 2026

הסקרים טועים נגד הימין כבר 24 שנים. בסיבוב השני לא: מה זה אומר על יום ראשון

איחדתי את 38 סבבי הסקרים שנרשמו בבית הדין הבחירות של ברזיל לסיבוב השני: לפלאביו יש 51.0% מהקולות הכשרים בחציון וסיכוי של 77% לנצח, בכיול לפי הטעות האמיתית של הסקרים בסיבובים השניים לנשיאות מאז 2002. הסיבוב הראשון הפחית בערכו של פלאביו, כפי שהוא מפחית בערך הימין כבר שש בחירות, אבל בסיבוב השני הטעות ההיסטורית קטנה ואין לה צד. צדקה בבחירות אחת מנבאת מעט על הבאות, ולאף מכון אין הטיה כיוונית מוכחת. תחזיות שנרשמו לפני התוצאה, עם נתונים וקוד פומביים.

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הסקרים טועים נגד הימין כבר 24 שנים. בסיבוב השני לא: מה זה אומר על יום ראשון

Desde 2002, em toda eleição presidencial, a média das pesquisas finais do 1º turno deu ao candidato de direita menos votos do que ele teve nas urnas. Em 2026 foi igual: as 12 pesquisas finais puseram Flávio Bolsonaro abaixo dos 47,03% que ele recebeu. Mas no 2º turno esse padrão some: nos seis segundos turnos desde 2002, o erro da média das pesquisas foi pequeno e caiu ora para um lado, ora para o outro. É isso que muda a leitura de domingo, 25 de outubro.

Juntando as 38 rodadas de 17 institutos registradas no TSE e divulgadas até 23 de outubro, Flávio tem 51,0% dos votos válidos contra 49,0% de Lula. Calibrando com o tamanho real dos erros nesses segundos turnos, isso dá a Flávio 77% de chance de vencer. É favoritismo, não certeza: em pelo menos um cenário razoável a chance cai para 55%, e uma eleição decidida por dois pontos cabe dentro do erro que as pesquisas já cometeram antes. E vale para os dois lados: os dados não sustentam nem "as pesquisas escondem a direita de novo" nem "agora vão inflar o Flávio para compensar".

Em 30 segundos.

  • O centro das pesquisas dá Flávio com 51,0% e Lula com 49,0%. Só uma rodada (Vox Brasil, 49,4% para Flávio) põe Lula à frente.
  • No 1º turno, as pesquisas subestimam o candidato de direita há seis eleições seguidas. No 2º turno, não: ali o erro é pequeno e não tem lado.
  • Acertar numa eleição prevê pouco o acerto na seguinte. Ranking de instituto é retrato do passado, não garantia.
  • Alguns institutos erram sistematicamente para o mesmo lado, mas nenhum padrão é forte o bastante para ser chamado de prova, e o padrão antigo não previu 2026.
  • Todas as previsões abaixo estão registradas antes do resultado, para conferência pública na segunda-feira.
  • Dados, código e versão técnica são públicos: repositório pesquisas-eleitorais-2026 no GitHub. Todo número deste texto sai de lá.

O retrato de hoje: 51 a 49, com um empate dentro do erro

A forma mais robusta de juntar pesquisas de institutos diferentes é a mediana da rodada mais recente de cada um: ela não deixa um instituto que publica toda semana pesar mais que outro, e um número extremo não arrasta o centro. Por esse critério, Flávio tem 51,0%. A média dá o mesmo (51,0%). A distância entre o instituto mais favorável a Flávio e o mais favorável a Lula é de 3,2 pontos.

Rodada mais recente de cada instituto até 23/10 (votos válidos; quando o instituto divulgou só votos totais, o válido é calculado dividindo cada candidato pela soma dos dois). Contratante, campo, entrevistas, confiança e registro: dado aberto do TSE.

InstitutoContratante (registro TSE)CampoEntrevistasMargemConfiançaRegistroFlávioLula
GerpGerp Mercadologia Ltda17/10 a 20/102.400±2,0 pp95,55%BR-03835/202652,6%47,4%
Real Time Big DataReal Time Midia Ltda19/10 a 22/102.000±2,0 pp95%BR-09670/202652,1%47,9%
DataTrendsInstituto Datatrends Ltda19/10 a 21/102.000±2,19 pp95%BR-03365/202652,1%47,9%
IndexaAgencia Estado S.A / Agencia Estado13/10 a 14/102.000±2,2 pp95%BR-04629/202651,2%48,8%
AtlasIntelAtlasintel Tecnologia De Dados Ltda13/10 a 18/105.000±1,0 pp95%BR-02418/202651,1%48,9%
FuturaFutura Consultoria E Assessoria Ltda / Futura19/10 a 20/102.000±2,2 pp95%BR-06614/202651,1%48,9%
IdeiaCanal Meio S.A.15/10 a 19/101.500±2,5 pp95%BR-08251/202651,1%48,9%
PalverPalver Consultoria E Desenvolvimento Tecnologico Ltda.16/10 a 20/105.000±2,4 pp95%BR-04612/202651,0%49,0%
PoderDataPoderdata Pesquisa, Jornalismo E Comunicacao Ltda19/10 a 21/104.000±1,6 pp95%BR-07926/202651,0%49,0%
Instituto FrançaInstituto Franca De Pesquisas Ltda16/10 a 20/103.000±1,8 pp95%BR-07896/202650,8%49,2%
VeritáInstituto Verita Ltda15/10 a 19/1015.554±1,0 pp95%BR-06396/202650,8%49,2%
QuaestEditora Globo S/A / Editora Globo; Globo Comunicacao E Participacoes S/A / Tv/Rede/Globo.Com/Canais Globo/Globoplay/Eletromidia17/10 a 20/102.154±2,0 pp95%BR-08535/202650,6%49,4%
DatafolhaEmpresa Folha Da Manha S.A.; Globo Comunicacao E Participacoes S/A / Tv/Rede/Globo.Com/Canais Globo/Globoplay/Eletromidia20/10 a 22/102.520±2,0 pp95%BR-09709/202650,5%49,5%
IpespeIpespe Inst De Pesquisas Sociais Politicas E Economicas20/10 a 22/101.500±2,6 pp95,45%BR-04350/202650,5%49,5%
MDAConfederacao Nacional Do Transporte13/10 a 15/102.002±2,2 pp95%BR-00652/202650,5%49,5%
NexusBanco Btg Pactual S.A.16/10 a 18/102.000±2,0 pp95%BR-04499/202650,3%49,7%
Vox BrasilInstituto Vox Brasil Opiniao E Pesquisas Ltda20/10 a 22/102.100±2,15 pp95%BR-03259/202649,4%50,6%

Nomes de parceiros de divulgação (Bloomberg, Aya, BTG, CNT, Meio, Broadcast, Abrapel, 100% Cidades) aparecem só quando são contratantes no registro do TSE.

Uma rodada ficou fora da conta. A da Alfa Inteligência foi divulgada com um número de registro que, no TSE, corresponde a outra amostra (1.200 entrevistas contra as 2.700 informadas), e não dá para saber a qual registro o resultado pertence. Pesquisa com registro duvidoso não entra.

A tendência. Nas duas primeiras semanas de outubro, Flávio caiu: os institutos que publicaram várias rodadas mostram recuo de 52-53% para perto de 51%. Daí em diante a leitura depende do recorte: em três de quatro recortes ainda há queda leve, e só a partir de 15 de outubro o quadro está plano. Isso importa porque decide o que "o centro" quer dizer no domingo; os cenários mais abaixo tratam as duas leituras.


O erro que todo mundo viu: o 1º turno subestimou Flávio

No 1º turno de 4 de outubro, Flávio teve 47,03% dos votos válidos. Todas as 12 pesquisas finais o puseram abaixo disso, dez delas por mais de meio ponto. Com Lula foi diferente: 5 institutos o subestimaram, 4 o superestimaram e 3 acertaram. A frase correta, portanto, é "as pesquisas subestimaram Flávio", não "as pesquisas inflaram Lula".

Pesquisa final de cada instituto no 1º turno (votos válidos; resultado do TSE: Flávio 47,03%, Lula 45,16%). "Erro na margem" é a diferença entre a vantagem de Flávio na pesquisa e nas urnas (+1,87): negativo subestimou Flávio. Ordem: do menor ao maior erro.

InstitutoContratante (registro TSE)CampoEntrevistasMargemConfiançaRegistroFlávioLulaErro na margem
VeritáInstituto Verita Ltda26/09 a 02/1040.500±1 pp95%BR-04522/202647,0%45,2%−0,1
GerpGerp Mercadologia Ltda30/09 a 02/102.400±2,04 pp95,55%BR-00509/202646,0%44,0%+0,1
FuturaFutura Consultoria E Assessoria Ltda / Futura29/09 a 03/102.000±2,2 pp95%BR-02431/202644,8%42,6%+0,3
PalverPalver Consultoria E Desenvolvimento Tecnologico Ltda.30/09 a 03/105.000±4 pp95%BR-00198/202647,0%43,0%+2,1
QuaestGlobo Comunicacao E Participacoes S/A / Tv/Rede/Globo.Com/Canais Globo/Globoplay/Eletromidia; Editora Globo S/A / Editora Globo02/10 a 03/103.702±2 pp95%BR-02197/202645,0%46,0%−2,9
PoderDataPoderdata Pesquisa, Jornalismo E Comunicacao Ltda30/09 a 02/104.000±2 pp95%BR-03519/202643,0%45,0%−3,9
AtlasIntelAtlasintel Tecnologia De Dados Ltda27/09 a 02/105.000±1,0 pp95%BR-00999/202644,1%47,0%−4,8
DatafolhaEmpresa Folha Da Manha S.A.; Globo Comunicacao E Participacoes S/A / Tv/Rede/Globo.Com/Canais Globo/Globoplay/Eletromidia03/10 a 03/104.006±2 pp95%BR-01708/202642,0%45,0%−4,9
Instituto FrançaInstituto Franca De Pesquisas Ltda28/09 a 02/102.000±2,2 pp95%BR-02928/202640,5%43,9%−5,3
NexusBanco Btg Pactual S.A.25/09 a 27/092.000±2 pp95%BR-07557/202639,0%44,0%−6,9
Real Time Big DataReal Time Midia Ltda26/09 a 30/092.000±2 pp95%BR-09503/202641,0%46,0%−6,9
MDAConfederacao Nacional Do Transporte29/09 a 02/102.002±2,2 pp95%BR-04756/202642,1%47,8%−7,6

Notas de origem: Gerp e Nexus pelos válidos que os próprios institutos publicaram; Instituto França recalculado dos totais (o instituto não publica válidos); Palver não divulga válidos, e os percentuais são os publicados; os decimais da Veritá vêm da compilação do Times Brasil/CNBC, e o instituto divulgou 47 e 45 inteiros.

Uma parte desse erro é movimento real de última hora. Os mesmos institutos que publicaram rodadas em 28 de setembro e em 3 de outubro erraram menos na segunda: houve eleitor que decidiu (ou mudou) no fim, como já se mediu para 2022 (Pereira e Nunes, 2024). A outra parte é erro de verdade, e ela tem história.


37 anos de dados: o 1º turno erra para um lado, o 2º turno não

Juntamos a última pesquisa de cada instituto em todas as eleições presidenciais desde 1989 e comparamos com o resultado do TSE. O gráfico mostra o erro da média das pesquisas finais (campo encerrado até sete dias antes) na fatia do candidato de direita ou do PSDB. Negativo quer dizer que as pesquisas deram a ele menos do que as urnas.

Dois blocos de barras horizontais. No bloco do primeiro turno, as seis eleições de 2002 a 2022 têm erro negativo: menos 1,8 em 2002, menos 6,7 em 2006, menos 1,8 em 2010, menos 7,2 em 2014, menos 5,7 em 2018 e menos 3,3 em 2022. No bloco do segundo turno, os erros são menores e mudam de sinal: menos 2,5 em 2002, menos 0,9 em 2006, menos 0,4 em 2010, mais 1,1 em 2014, mais 1,0 em 2018 e zero em 2022.O 1º turno erra muito e para o mesmo lado; o 2º, pouco e sem ladoErro da média das pesquisas finais, candidato de direita ou do PSDB, em pontos1º TURNO · ERRO DA MÉDIA DAS PESQUISAS FINAIS2002−1,8 pp2006−6,7 pp2010−1,8 pp2014−7,2 pp2018−5,7 pp2022−3,3 pp2º TURNO · ERRO DA MÉDIA DAS PESQUISAS FINAIS2002−2,5 pp2006−0,9 pp2010−0,4 pp2014+1,1 pp2018+1,0 pp20220,0 ppFontes: TSE, institutos · pesquisas até 7 dias antes · eleições com 2+ institutos

Duas coisas saltam:

  1. No 1º turno, a direita é subestimada em todas as seis eleições de 2002 a 2022, três vezes por mais de cinco pontos. (Antes de 2002 há só um instituto por eleição; em 1994 e 1998, anos de Fernando Henrique Cardoso, o erro foi para o outro lado.)
  2. No 2º turno o erro encolhe e perde a direção. A média dos seis erros é −0,3 ponto, com margem de incerteza de ±0,5: estatisticamente, zero. O erro típico, medido pela raiz do erro quadrático médio, é de 1,25 ponto.

Por que o 2º turno erra menos? Há menos candidatos para medir, menos voto útil de última hora, e os institutos passam a conferir a amostra pelo voto que as pessoas declaram ter dado no 1º turno, o que corrige parte do desvio. A consequência para domingo é direta: o erro do 1º turno de 2026 não autoriza supor que o 2º turno vai errar do mesmo jeito. Na série histórica, o tamanho do erro do 1º turno e o do 2º turno na mesma eleição andam até em sentidos contrários (correlação de −0,61, com seis eleições, o que é pouco para cravar).


Quem acerta e quem erra

Medir acerto de instituto é mais difícil do que parece, porque uma eleição só não separa competência de sorte. Usamos três regras: comparar cada instituto com os rivais na mesma eleição (eleição difícil não pune um só), separar 1º e 2º turno (o 1º turno erra duas vezes mais e puniria quem aparece mais nele) e só ranquear quem tem histórico.

Barras horizontais com o erro médio de cada linhagem de instituto no segundo turno presidencial. Datafolha tem o menor erro, 0,9 ponto em 7 eleições, seguido de Ibope e Ipec com 1,2 em 6 eleições e MDA com 1,3 em 3. Depois vêm Ipespe com 2,5, Vox Populi com 2,7, Sensus com 2,8, Paraná Pesquisas com 3,0 e Veritá com 3,4, cada um com 2 a 4 eleições.Quem mais acertou o 2º turno presidencialErro médio na fatia do candidato de direita/PSDB, em pontos · número de eleiçõesERRO MÉDIO NO 2º TURNO PRESIDENCIAL (PP) · ELEIÇÕESDatafolha0,9 · 7Ibope/Ipec1,2 · 6MDA1,3 · 3Ipespe2,5 · 2Vox Populi2,7 · 4Sensus2,8 · 4Paraná Pesquisas3,0 · 2Veritá3,4 · 2Fontes: TSE, institutos · 1989-2022 · pesquisas até 7 dias antes

No 2º turno presidencial, Datafolha, Ibope/Ipec e MDA são os mais precisos, e também os que mais vezes erraram menos que os rivais do mesmo ano. Ibope e Ipec aparecem juntos porque o Ipec foi fundado em 2021 pela equipe do Ibope Inteligência; o mesmo vale para DataPoder360 e PoderData. Na base mais larga, com 4.974 pesquisas finais para presidente, governador e prefeito de 2012 a 2022 (os dados abertos do Pindograma), quem mais errou menos que os rivais foram Instituto Amostragem, Futura e AtlasIntel, seguidos de Serpes, Ibope/Ipec e Datafolha; Vox Populi, Consult Pesquisa, Ipespe e Veritá erraram mais.

O ranking muda conforme o critério, e isso é uma propriedade do problema, não um defeito da conta. Mais importante: testamos se acertar antes prevê acertar depois. Na margem entre os dois primeiros, que é o que decide um 2º turno, a resposta é quase não: a ordem dos institutos de um período para o seguinte se repete com correlação entre 0,06 e 0,38, abaixo do limiar de significância em todos os cortes. No erro médio por candidato a repetição é maior (até 0,70), mas cai para 0,20 no corte mais recente. Por isso este texto não pondera o 2º turno pelo ranking do 1º.


Errar sempre para o mesmo lado

Esta é a pergunta que mais circula: algum instituto erra sistematicamente a favor de um candidato? Para responder sem cair na anedota, medimos, em 1.517 pesquisas de 2012 a 2022 em que o PT estava entre os dois primeiros, quanto cada instituto deu ao PT a mais ou a menos que os rivais na mesma disputa, e em quantos ciclos eleitorais ele ficou do mesmo lado.

Erro sistemático numa direção não indica intenção, contratação nem fraude. Ele tem causas técnicas conhecidas: como a amostra é sorteada, como é ponderada, se a entrevista é presencial, por telefone ou pela internet, quem aceita responder. Este texto mede o erro; não atribui motivo a ninguém.

Dois blocos de barras. No bloco de quem ficou abaixo dos rivais na fatia do PT: Veritá com menos 4,5 pontos e nenhum de 5 ciclos a favor do PT, Paraná Pesquisas com menos 3,4 e nenhum de 4, Futura com menos 0,6 e Real Time Big Data com menos 0,3. No bloco de quem ficou acima: Vox Populi com mais 3,5 e 3 de 4 ciclos, AtlasIntel com mais 2,9 e 1 de 2, Ibope e Ipec com mais 1,2 e 4 de 6, Ipespe, Quaest, Datafolha e MDA com menos de 1 ponto.Quem deu ao PT menos ou mais que os rivais, 2012-2022Diferença média para os rivais na mesma disputa, em pontos · ciclos a favor do PTABAIXO DOS RIVAIS NA FATIA DO PT (PP · CICLOS A FAVOR)Veritá−4,5 · 0/5Paraná Pesquisas−3,4 · 0/4Futura−0,6 · 2/3Real Time Big Data−0,3 · 1/3ACIMA DOS RIVAIS NA FATIA DO PT (PP · CICLOS A FAVOR)Vox Populi+3,5 · 3/4AtlasIntel+2,9 · 1/2Ibope/Ipec+1,2 · 4/6Ipespe+0,7 · 2/4Quaest+0,6 · 2/2Datafolha+0,4 · 4/6MDA+0,4 · 2/4Fonte: base aberta do Pindograma, 2012-2022 · cálculo próprio

O que dá para afirmar:

  • Veritá e Paraná Pesquisas ficaram abaixo dos rivais na fatia do PT em todos os ciclos em que aparecem (5 de 5 e 4 de 4). É o padrão mais consistente da base, mas com tão poucos ciclos a chance de acaso ainda é de 6% e 12%: sugestivo, não conclusivo.
  • Na série presidencial, Ibope/Ipec subestimou o candidato de direita em todos os cinco 1º turnos em que tem pesquisa final a até sete dias da eleição. Mas todo o mercado errou nessa direção nesses anos; o próprio instituto ficou perto da média dos rivais.
  • O erro direcional da AtlasIntel não se sustenta: foi contra o PT em 2020 e a favor em 2022. Quaest e outros têm poucos ciclos para qualquer conclusão.
  • Contamos mais de vinte comparações desse tipo; com tantas, algum padrão "forte" apareceria só por acaso. Nenhum sobrevive a essa correção.

E o padrão antigo previu 2026? Não. A ordem dos institutos pelo erro direcional histórico quase não tem relação com o erro de cada um no 1º turno de 2026 (correlação de 0,18) nem com o viés de cada um no 2º turno (de −0,25). O caso mais claro é a Veritá: historicamente a mais distante do PT, acertou o 1º turno de 2026 quase na casa decimal e hoje está levemente do lado de Lula em relação aos rivais. A leitura compatível com os dados é que instituto que erra recalibra. O histórico descreve o instituto que ele foi, não necessariamente o que ele é.

Uma nota de nome: a Vox Brasil, única rodada de 2026 com Lula à frente, não é o Vox Populi da série histórica. São empresas diferentes, e o histórico de uma não se transfere à outra.


Cenários para domingo

A chance de Flávio depende de duas escolhas: qual é o centro e quanto as pesquisas podem errar. O erro vem da história: 1,25 ponto, o erro típico da média das pesquisas finais nos segundos turnos de 2002 a 2022. Como seis eleições são pouco para medir isso com precisão, a conta usa uma distribuição com caudas mais largas que a normal (t de Student), o que deixa espaço para surpresa.

Barras horizontais com a probabilidade de Flávio vencer em sete cenários. Central, pela mediana de todos os institutos: 77 por cento. Só com institutos que têm 20 ou mais pesquisas na base histórica: 69. Só com os quatro mais precisos: 73. Sem as três rodadas mais altas para Flávio: 72. Com o erro calibrado em pesquisas de até 14 dias: 75. Se o quadro estiver estável desde 15 de outubro: 79. Se a queda de Flávio do início de outubro continuar: 55.A chance de Flávio vencer, cenário por cenárioProbabilidade de Flávio ter mais de 50% dos votos válidos em 25/10PROBABILIDADE DE FLÁVIO VENCER, POR CENÁRIOCentral: mediana77%Só quem tem 20+69%Os 4 mais precisos73%Sem os 3 mais altos72%Erro de 14 dias75%Estável desde 15/1079%Queda continua55%Cálculo próprio · rodadas registradas no TSE até 23/10 · erro calibrado em 2002-2022

O que cada cenário quer dizer:

CenárioO que supõeCentroChance de Flávio
Centrala mediana de todos os institutos51,0%77%
Só quem tem históricosó os 8 institutos com 20 ou mais pesquisas finais em 2012-202250,7%69%
Os mais precisossó os 4 institutos que erraram menos que os rivais em 2012-202250,8%73%
Sem os mais altostira as 3 rodadas mais favoráveis a Flávio50,8%72%
Erro maiorerro calibrado com pesquisas de até 14 dias51,0%75%
Estávelo quadro está parado desde 15/1051,1%79%
Queda continuao recuo de Flávio do início de outubro seguiu até domingo50,2%55%

A leitura honesta: em quase todo cenário razoável Flávio é favorito, com chance entre 69% e 79%. O único que o aproxima de um cara ou coroa é o da queda contínua desde o início de outubro. Os recortes mais recentes mostram uma queda bem mais lenta, ou nenhuma, mas não dá para descartar que ela continue. Ainda assim, uma chance em quatro de Lula vencer não é pequena: é a chance de tirar o número 1 num dado de quatro faces.

E um cenário que não entrou: "as pesquisas vão errar contra Flávio de novo, como no 1º turno". Ele levaria a chance a 97%, mas não tem apoio na história dos segundos turnos mostrada acima.

A transferência de votos não muda o quadro. Somando aos votos do 1º turno a parte dos eleitores de Cury, Renan Santos, Caiado e Zema que diz migrar para cada lado, Flávio chegaria a 51,5% (taxas da Quaest) ou 52,1% (taxas da PoderData). Mas essas taxas saem das mesmas entrevistas que geram o 51%, e cada eleitor de candidato eliminado é medido com 50 a 65 entrevistas por instituto, com margem de mais ou menos 12 pontos. É uma conta de consistência, não uma segunda prova.


O que pode virar o jogo

  • Comparecimento. Um em cada cinco eleitores (21%) não votou no 1º turno. As pesquisas medem mal quem vai ou não votar, e uma diferença de mobilização de um ou dois pontos entre os lados decide uma eleição a 51-49.
  • Os últimos dias. O erro de 1,25 ponto foi medido com pesquisas da véspera. As rodadas de hoje têm de 3 a 11 dias, e calibrando com pesquisas de até 14 dias o erro sobe para 1,41 ponto. É provável que a incerteza real seja um pouco maior que a do cenário central.
  • Erro comum a todos. Os institutos usam cadastros, ponderações e modos parecidos, e tendem a errar juntos. Por isso a média de 17 pesquisas não é 17 vezes mais precisa que uma: o erro que importa é o que todas compartilham.

Como vamos saber se acertamos

Previsão que não pode ser conferida não é previsão. Estas foram registradas em 23 de outubro, antes das rodadas finais e do resultado, com o código e os dados selados por SHA-256 no repositório público (arquivo das previsões registradas):

#PrevisãoComo conferir
1Flávio vence com probabilidade 0,77escore de Brier: 0,052 se Flávio vencer, 0,595 se perder
2Flávio termina entre 49,2% e 52,8% dos válidos (80% de confiança) e entre 47,9% e 54,1% (95%)resultado do TSE
3A mediana das pesquisas erra menos que 1,25 pontoresultado do TSE
4Não haverá no 2º turno um erro contra Flávio do tamanho do 1º turno (1,9 pontos na disputa a dois)resultado do TSE
5A ordem dos institutos no 1º turno prevê pouco a ordem no 2º (correlação entre −0,2 e 0,4)erro de cada instituto
6A mediana dos institutos com 20 ou mais pesquisas na base histórica erra menos que a dos demaiserro de cada mediana
7Os dois institutos mais afastados do centro (Gerp, a favor de Flávio, e Vox Brasil, a favor de Lula) erram mais que a medianaerro de cada um

Na segunda-feira este texto ganha uma atualização datada com o placar de cada previsão, acerte ou erre.


Como foi feito

  • Dados. As 38 rodadas de 2026 foram conferidas no dado aberto de registro do TSE (arquivo gerado em 23/10 às 05:46): número de registro, contratante, período de campo, número de entrevistas, margem de erro e nível de confiança saem do registro oficial. A série presidencial 1989-2022 vem das pesquisas finais de cada instituto comparadas ao TSE; a base de 2012-2022 é a do Pindograma, refeita em código próprio.
  • Medidas. As de sempre na literatura: erro médio por candidato e erro na margem (Mosteller e colegas, 1949), e a medida A de Martin, Traugott e Kennedy (2005). Nada aqui é métrica inventada para o caso.
  • Natureza do texto. É uma estimativa própria a partir de pesquisas registradas, não uma pesquisa eleitoral; não há enquete nem consulta ao leitor. As rodadas citadas foram registradas até 17 de outubro e, pela regra de cinco dias da Resolução TSE nº 23.600/2019, já podiam ser divulgadas em 23 de outubro.
  • Código, dados e versão técnica (com todas as tabelas, as ameaças à validade e a auditoria independente): repositório pesquisas-eleitorais-2026 no GitHub. Todo número deste texto sai dos scripts de lá.

Fontes