חזרה למאמרים
מאמרים פורסם ב 28 באוגוסט 2026

As 7 estatísticas centrais de deepfake vêm de quem vende o detector — o único número oficial de dano conta "menções a IA" e a ciência dá 55%, uma moeda

A página de estatísticas de deepfake mais completa que encontrei avisa que os números vêm de quem vende detector — e mesmo assim tira as sete cifras centrais dela exatamente daí. Conferi uma a uma: Signicat, Entrust duas vezes, Sumsub duas vezes, Resemble AI e iProov. Sete de sete fornecedores, nenhum órgão oficial, nenhuma academia, nenhuma pesquisa pública. Quatro linhas do placar estão erradas, e os erros sobre lei vão todos na mesma direção: fazem a regulação parecer mais adiantada do que é. Fui atrás do que existe de verdade: o único número oficial de dano é US$ 893 milhões — 4,28% das perdas do ano, sob uma etiqueta que o FBI define como "contém uma referência a inteligência artificial"; a única medição independente da capacidade humana é acadêmica e dá 55,5%, com intervalo de confiança que cruza os 50%, ou seja, uma moeda; e o melhor dado público do mundo é brasileiro, do Cetic.br, porque testa em vez de perguntar (41% se dizem confiantes, 17% foram bem no teste, sem correlação entre as duas coisas). Contei o painel da Resemble AI eu mesmo: dos 2.266 incidentes, o famoso "US$ 1,3 bilhão" descreve 159.

#deepfake#estatisticas#desinformacao#metodologia#fraude#brasil

O artigo de estatísticas de deepfake mais completo que encontrei abre com um aviso honesto: "Deepfake-Statistiken stammen überwiegend von Anbietern für Identitätsprüfung und Betrugserkennung, die ein kommerzielles Interesse am Thema haben" — "as estatísticas de deepfake vêm predominantemente de fornecedores de verificação de identidade e detecção de fraude, que têm interesse comercial no assunto". Duas telas depois vem a tabela das sete cifras centrais do texto. Fui conferir uma a uma: as sete são desses fornecedores. Signicat, Entrust Onfido duas vezes, Sumsub duas vezes, Resemble AI e iProov.

Não é desleixo do autor — e é isso que torna o caso interessante. Ele declara o conflito, faz a conta de crescimento do jeito certo, avisa quando um número não tem base. Mesmo assim a tabela sai 7 de 7, porque não existe outra coisa para citar. Passei três dias atrás do que existe: o único número oficial de dano é uma etiqueta do FBI definida como "menciona inteligência artificial"; a única medição independente da capacidade humana de reconhecer um deepfake é acadêmica e dá 55%, com margem que encosta na moeda; e o melhor dado público do mundo sobre o assunto, com teste objetivo em vez de autodeclaração, é brasileiro.

Nota metodológica. Conferi cada número contra a fonte original entre 26 e 28 de agosto de 2026 — comunicado da empresa, relatório em PDF, ato normativo no diário oficial, artigo com DOI — e digo no texto quando só consegui chegar à fonte secundária. A página alemã que motivou a pauta foi capturada em 26/08/2026 com navegador real (curl recebe erro 429). Três medições são minhas e reprodutíveis: a procedência linha a linha da tabela de sete cifras; os percentuais calculados do PDF do relatório anual do FBI; e a contagem do painel público de incidentes da Resemble AI, feita em 28/08/2026 com o script que publico no fim. O que não consegui ler está declarado: os relatórios completos da Signicat, da Sumsub e da Resemble estão atrás de formulário de cadastro (usei os comunicados públicos), o artigo de Stockner 2026 só me deu o resumo, e a decisão do ministro Mendonça no TSE não tem inteiro teor publicado — digo isso no lugar em que ela aparece.


O placar: 7 cifras centrais, 7 fornecedores

O veredito antes do argumento. A coluna do meio é a única pergunta que importa: quem mediu, e mede o quê?

A cifra que circulaQuem mediuO que a conferência achou
6,5% das tentativas de fraude na Europa são deepfake (1 em 15)Signicat — vende verificação de identidade⚠️ Não é medição: é pesquisa de opinião com 1.206 gestores de fraude em 7 países (Censuswide, 2024)
Um ataque deepfake a cada 5 minutos (2024)Entrust Onfido — vende verificação de identidade⚠️ Medido na plataforma da própria empresa, não no mundo
1 em cada 5 fraudes biométricas é deepfake (nov/2025)Entrust — a mesma empresa⚠️ Mesma base: os clientes dela
Incidentes na Alemanha cresceram 53% em 2025Sumsub — vende verificação de identidade⚠️ Mesma natureza: tráfego da plataforma dela
88% dos casos de deepfake são no setor cripto (2023)Sumsub — a mesma empresa⚠️ Diz mais sobre a carteira de clientes dela que sobre deepfake
~US$ 1,3 bilhão em danos documentados em 2025Resemble AI — vende detecção e clonagem de voz⚠️ Contei o painel: o valor descreve 159 incidentes, não os 2.266 do banco
Só 0,1% das pessoas reconhecem deepfakes com segurançaiProov — vende verificação de identidade❌ É estatística tudo-ou-nada em 7 testes; a empresa não publica a acurácia por item
"O FBI criou pela primeira vez uma categoria própria de IA"Página alemã, sobre o relatório do FBIErrado. O FBI define a etiqueta como "contém uma referência a inteligência artificial" — é descritor, não categoria de crime
Remoção em 48h da lei americana passa a valer em maio de 2026Página alemã, sobre a TAKE IT DOWN ActErrado. Vale desde 19/05/2025; maio de 2026 é o prazo para as plataformas terem o processo pronto
A Dinamarca aprovou lei de direito à própria imagemPágina alemãErrado. Existe só um anteprojeto em consulta pública, nunca apresentado ao parlamento
95.800 vídeos deepfake, 98% pornográficos, 99% com mulheres (2023)Security Hero⚠️ É site de afiliados, com o estudo comissionado por uma empresa de proteção de identidade
55,54% de acerto humano, com intervalo que cruza os 50%Diel et al., 2024 — meta-análise revisada por paresConfere. 56 artigos, 67 experimentos, 86.155 participantes. A página alemã não cita nenhum estudo assim
41% se dizem capazes de identificar conteúdo falso; 17% foram bem no testeCetic.br / NIC.br — pesquisa pública brasileiraConfere. n = 5.250, com teste objetivo, não autodeclaração

Onze das treze linhas ou vêm de quem vende a solução, ou estão erradas — quatro estão erradas. As duas que aguentam sozinhas são as duas que ninguém repete: uma meta-análise acadêmica e uma pesquisa pública brasileira.


A régua: cinco maneiras de "medir" deepfake, e só duas medem o mundo

Antes de acreditar em qualquer cifra sobre deepfake, uma pergunta resolve quase tudo: o número saiu de contar o mundo, ou de contar os clientes de quem vende o remédio? A figura é a régua inteira; o resto do artigo é a demonstração, linha a linha.

Diagrama em cadeia com cinco caixas. Primeira: plataforma do fornecedor — a empresa conta o que passou pelo produto dela; mede a carteira de clientes, não o país. Segunda: pesquisa de opinião encomendada pelo fornecedor — pergunta a gestores o que eles acham que viram; mede percepção, não incidente. Terceira: órgão oficial — queixa registrada em delegacia ou agência; mede o que foi denunciado e sobrevive à definição do formulário. Quarta: academia revisada por pares — experimento com pessoas reais e intervalo de confiança; mede a capacidade humana, não a prevalência. Quinta, em destaque: censo com teste objetivo — pergunta e depois testa; é o único desenho que mostra a distância entre o que a pessoa acha e o que ela faz.Cinco maneiras de medir deepfakeAs duas primeiras produzem quase toda a estatística que circula — e nenhuma delas mede a população1. Plataforma do fornecedor — conta o que passou por eleMede a carteira de clientes da empresa, com precisão. Não mede o país nem a população.2. Pesquisa de opinião paga pelo fornecedorPergunta a gestores de fraude o que acham que viram. Mede percepção, não incidente.3. Órgão oficial — queixa registradaMede o que foi denunciado, filtrado pelas palavras do formulário. Sub-registro garantido.4. Academia revisada por paresExperimento com pessoas reais e intervalo de confiança. Mede capacidade, não prevalência.5. Censo com teste objetivo — pergunta e depois testaO único desenho que mostra a distância entre o que a pessoa acha e o que ela acerta.Fonte: classificação do autor sobre as 14 afirmações da página alemã, 28/08/2026. ulissesflores.com/deepfake

Repare que a régua não diz "fornecedor mente". Diz que cada caixa responde a uma pergunta diferente. A plataforma do fornecedor mede com precisão a carteira de clientes dele: se a Sumsub atende muita corretora de criptomoeda, o "88% dos casos são cripto" descreve a clientela, não o crime. A pesquisa de opinião mede o que gestores de fraude acham que viram. O órgão oficial mede o que foi denunciado, filtrado pelas palavras do formulário. A academia mede a capacidade humana num laboratório, e não a prevalência lá fora. E a última caixa — perguntar e depois testar — é a única que mostra a distância entre as duas coisas. Só encontrei uma pesquisa assim, e ela é brasileira.

O erro que atravessa o assunto inteiro não é inventar número. É pôr as cinco caixas na mesma frase, com o mesmo verbo.

Gráfico de barras horizontais com a contagem por tipo de fonte nas sete cifras centrais: fornecedor de verificação ou detecção, sete de sete, em destaque; órgão oficial, zero; academia revisada por pares, zero; pesquisa pública com teste, zero.As 7 cifras centrais, por quem as produziuA tabela tem 7 linhas e 7 fontes; todas vendem verificação de identidade, detecção ou clonagem de vozQUEM PRODUZIU AS 7 CIFRAS CENTRAISFornecedor do setor7 de 7Órgão oficialnenhumaAcademianenhumaPesquisa públicanenhumaFonte: contagem do autor na tabela 'Kernzahlen' da página capturada em 26/08/2026. ulissesflores.com/deepfake

Sete de sete. Nenhum órgão oficial, nenhum estudo revisado por pares, nenhuma pesquisa pública — na tabela que resume o artigo. Os números oficiais aparecem no corpo do texto, mais adiante, e são justamente os que não sustentam a manchete.


O crescimento: o texto acerta a conta, e a fonte dele é que erra

Esperava encontrar aqui o erro clássico — e não encontrei. O texto alemão faz a conta certa; quem produz a manchete inconsistente é a empresa que a assina.

A Signicat diz que a fatia de deepfake nas tentativas de fraude foi de 0,1% em 2022 para 6,5% em 2024. A página alemã descreve isso como +6,4 PP — mais 6,4 pontos percentuais. Está correto: é a diferença entre duas porcentagens, e é assim que se escreve. Na frase seguinte ela acrescenta, com atribuição explícita: "Signicat selbst beziffert das Wachstum […] auf 2.137 %" — "a própria Signicat quantifica o crescimento em 2.137%".

O problema mora na fonte. Ir de 0,1% a 6,5% é multiplicar por 65 — um crescimento de +6.400%, não de +2.137%. Os dois números convivem no mesmo comunicado da empresa, sem uma linha reconciliando um com o outro, e o endereço do comunicado carrega o segundo: fraud-attempts-with-deepfakes-have-increased-by-2137-over-the-last-three-year. O +2.137% corresponde a multiplicar por 22,4, não por 65.

Não sei qual dos dois a Signicat considera o certo, porque o relatório completo está atrás de formulário de cadastro e o comunicado público não explica. Sei que os dois não podem ser a mesma medição, e que o que viaja é sempre o maior.

E há um detalhe de método que pesa mais que a aritmética: esse "6,5%" não é contagem de ataque nenhum. Saiu de um questionário aplicado pela Censuswide a 1.206 gestores de fraude em sete países europeus, em 2024. É a média do que profissionais estimaram sobre as próprias empresas. A página alemã chama a série de "a medição antes-depois mais limpa" do assunto — e ela é, de fato, a mais limpa disponível. É esse o tamanho do que existe.


Detecção humana: 0,1% e 55% respondem a perguntas diferentes

O número mais citado do assunto é da iProov: 0,1% das pessoas reconhecem deepfakes com segurança. Ele é verdadeiro e é enganoso ao mesmo tempo, e a diferença está na palavra que some no caminho.

O teste da iProov mostrou sete estímulos a 2.000 pessoas no Reino Unido e nos Estados Unidos. O 0,1% é a fatia que acertou todos os sete. É uma barra tudo-ou-nada: quem errou um de sete cai para fora dela. Perguntei-me qual seria a acurácia por item — quantos por cento dos julgamentos individuais estavam certos — e a resposta é que a empresa não publica esse número. Publica só o tudo-ou-nada e um relativo ("vídeo é 36% menos detectado que imagem").

A acurácia por item existe, e é acadêmica. Duas meta-análises a estimaram, e vale dar as duas porque elas não dizem exatamente a mesma coisa:

EstudoEscopoAcuráciaVeredito sobre o acaso
Diel et al., 202456 artigos, 67 experimentos, 86.155 participantes, todas as modalidades55,54% — intervalo de 95% entre 48,87% e 62,10%O intervalo cruza os 50%: não dá para distinguir de uma moeda
Stockner et al., 202636 estudos, 51 experimentos, 13.197 participantes, só rostos estáticos56,1%Acima do acaso, por margem pequena
Stockner et al., 2026 — subgrupo treinadoExperimentos que tentaram melhorar a detecção62,2%Melhor, e os autores pedem cautela sobre a relevância prática

As duas convergem no ponto — 55,5% e 56,1%, meio ponto de diferença — e divergem no veredito estatístico. A maior delas não consegue separar o desempenho humano de um cara-ou-coroa; a mais recente, com escopo mais estreito e amostra seis vezes menor, consegue, por seis pontos percentuais. A afirmação que as duas sustentam é a única que vale repetir: o humano fica na casa dos 55%, e mesmo quem foi treinado para detectar não passa de 62%.

Isso muda a leitura do 0,1%. Ele não significa "quase ninguém percebe um deepfake". Significa "quase ninguém acerta sete de sete" — e uma régua tudo-ou-nada produz números minúsculos por construção. Faça a conta: com 55% de acerto por item, acertar sete vezes seguidas dá cerca de 1,5%. Ou seja, a literatura já prevê que quase ninguém passe num teste desses — e ainda assim prevê quinze vezes mais gente do que a iProov encontrou. Não sei explicar a diferença com o que é público: pode ser que os sete estímulos fossem mais difíceis que a média dos experimentos acadêmicos, ou que os julgamentos não sejam independentes entre si. O que o 0,1% mede com certeza é o desenho da métrica, não a cegueira do público — e é por isso que ele não deveria ser lido como "só uma pessoa em mil percebe um deepfake".

Gráfico de barras horizontais comparando sete medidas. Autodeclaração: 47% dos alemães acham que reconhecem conteúdo manipulado, 34% se dizem capazes de identificar deepfake, 41% dos brasileiros se dizem confiantes. Desempenho medido: 55,5% de acerto na meta-análise de Diel, 56,1% na de Stockner, 62,2% no subgrupo treinado, e apenas 17% dos brasileiros no grupo de melhor desempenho do teste objetivo do Cetic.br. A barra de 17% está em destaque.O que as pessoas acham × o que elas acertamAutodeclaração na casa dos 40%; desempenho medido, dos 55% — e o teste objetivo brasileiro, 17%O QUE DIZEM SOBRE SIAcham que reconhecem47%Se dizem confiantes41%Acham que identificam34%O QUE ACERTAM QUANDO MEDIDOTreinados p/ detectar62,2%Rostos (Stockner)56,1%Geral (Diel)55,5%Teste objetivo (BR)17%Fontes: iProov 2025; Diel 2024; Stockner 2026; BSI e Bitkom 2026; Cetic.br 2025. ulissesflores.com/deepfake

Repare no salto entre as duas metades da figura. Em cima, o que as pessoas dizem sobre si — entre 34% e 47%, em três países. Embaixo, o que acontece quando alguém mede. As três primeiras barras de baixo são acurácia média por julgamento; a de 17% é de outra unidade — é a fatia de pessoas que ficou no grupo de melhor desempenho do teste brasileiro. Não são somáveis, e é a comparação com os 41% logo acima dela que interessa: mesma pesquisa, mesmas pessoas. E a barra de 17% é de outra natureza: é a única em que as mesmas pessoas foram perguntadas e depois testadas. Já escrevi sobre essa distância em quantas pessoas realmente usam IA; vale igual aqui. Declaração não é medição, nem quando a declaração é modesta.


O dano: o único número oficial conta "menções a IA"

Quando o assunto vira dinheiro, uma cifra aparece em todo lugar: US$ 893,35 milhões, do relatório anual de 2025 do IC3, o centro de queixas de crime cibernético do FBI. É o único número de dano com carimbo de governo, e é por isso que ele viaja.

Fui ao PDF. O relatório define a etiqueta assim, e cito na íntegra: "AI Related: Information reported contains a reference to artificial intelligence (AI)" — "Relacionado a IA: a informação reportada contém uma referência a inteligência artificial". Não é uma categoria de crime. É uma marcação de texto: a queixa entra na conta se em algum lugar dela alguém escreveu "inteligência artificial". A palavra "deepfake" aparece três vezes no relatório inteiro, sempre em prosa corrida, nunca como rubrica com número atrás.

A página alemã descreve isso como "erstmals eigene KI-Kategorie" — "pela primeira vez uma categoria própria de IA". É o erro mais consequente do texto, porque transforma um descritor em estatística criminal.

Os percentuais também mudam a leitura, e são conta de dividir que qualquer pessoa refaz:

Do relatório do FBI de 2025TotalEtiqueta "relacionado a IA"Fatia
Queixas registradas1.008.59722.3642,22%
Perdas reportadasUS$ 20,877 bilhõesUS$ 893,35 milhões4,28%

A cifra que se lê como "o custo dos deepfakes" é 4,28% das perdas de um único país, num balde que entra qualquer queixa em que a sigla foi digitada. O maior componente dela, segundo o próprio relatório, é golpe de investimento — a modalidade que ficou em US$ 632 milhões.

Contei o banco de incidentes que produz o "US$ 1,3 bilhão"

A outra cifra grande do assunto é da Resemble AI: cerca de US$ 1,3 bilhão em danos documentados em 2025, sobre 1.567 incidentes verificados. A empresa mantém um painel público, e a página alemã já avisa que "bei über 80 % wurde kein Schaden beziffert" — "em mais de 80% não foi quantificado dano nenhum". Fui contar por conta própria.

O painel, na janela "todo o período", tinha em 28/08/2026 2.266 incidentes (a tabela dinâmica fecha linha a linha; a soma dos últimos doze meses dá 1.537, batendo com o "1.5K" que o painel exibe). E logo abaixo do valor de US$ 1,3 bilhão está impressa, em letra miúda, a legenda que não viaja junto: 159 incidents with verified losses — "159 incidentes com perdas verificadas".

Gráfico de waffle com 2.266 pontos representando os incidentes do banco público da Resemble AI. 2.107 pontos em cinza recessivo representam os 93% de incidentes sem qualquer valor financeiro atribuído. 159 pontos em ouro, em destaque, representam os 7% com perda verificada — os únicos que compõem a cifra de 1,3 bilhão de dólares.De onde vem o 'US$ 1,3 bilhão'Cada ponto é um incidente do banco público da Resemble AI, contado em 28/08/2026Sem valor atribuído2.107 · 93,0% do bancoCom perda verificada159 · 7,0% — os US$ 1,3 biFonte: contagem do autor no painel público da Resemble AI, janela 'All time', 28/08/2026. ulissesflores.com/deepfake

São 7,0% do banco. Os outros 93% não têm valor nenhum atribuído. Entre os 159 que têm, a média é de US$ 8,18 milhões por incidente — um patamar que só se sustenta porque casos como o da Arup (US$ 25,6 milhões numa videochamada) puxam a conta para cima. O número não descreve "o prejuízo dos deepfakes": descreve a soma de uma minoria de casos grandes o bastante para virar notícia com cifra. A frase certa não é "deepfakes causaram 1,3 bilhão"; é "159 casos noticiados somaram 1,3 bilhão".

E a contagem revelou algo que nenhum dos textos sobre o assunto menciona: a categoria dominante do banco não é fraude.

Gráfico de barras horizontais com a distribuição dos 2.266 incidentes por tipo de ataque: marca e reputação 757, que é 33,4%; desinformação política 447, 19,7%; fraude ao consumidor 382, 16,9%; imagem íntima não consensual 256, 11,3%; material de abuso sexual infantil 239, 10,5%; e fraude corporativa 185, apenas 8,2% — esta última em destaque por ser a menor.O que o maior banco público de incidentes realmente catalogaFraude corporativa — o problema que os fornecedores vendem solução para — é a menor das seis categoriasOS 2.266 INCIDENTES DO BANCO, POR TIPO DE ATAQUEMarca e reputação33,4%Desinformação19,7%Fraude ao consumidor16,9%Imagem íntima11,3%Abuso infantil10,5%Fraude corporativa8,2%Fonte: contagem do autor na tabela dinâmica do painel da Resemble AI, 2.266 incidentes, 28/08/2026. ulissesflores.com/deepfake

Um terço do banco é dano de marca e reputação. Abuso sexual — imagem íntima não consensual somada a material de abuso infantil — é 21,8%, e é aí que mora o recorte que ninguém publica: 95,8% do material de abuso infantil catalogado (229 de 239 casos) tem um indivíduo privado como vítima, não uma celebridade. Já a fraude corporativa, o cenário do executivo enganado em videochamada que abre praticamente todo artigo sobre o tema, é 8,2% — a menor das seis categorias.

Duas ressalvas que a honestidade exige, porque o banco também tem defeitos. Nos oito incidentes mais recentes da lista, dois são o mesmo caso com fichas e endereços diferentes: o mesmo golpe amoroso de US$ 180 mil contra um psicólogo aposentado, contado duas vezes. Não consigo dizer quanto isso infla o total — a página que lista os incidentes um a um responde, mas não renderiza uma linha sequer, e sem ela não há como medir a taxa de duplicação. A segunda ressalva é a favor do painel: procurei nota de método, glossário ou explicação de cálculo no código da página e não há nenhuma — o que também significa que o mostrador "633,5 bilhões de alcance mensal potencial", setenta e sete vezes a população da Terra, é publicado sem uma linha dizendo o que mede.


A lei que está em vigor de verdade

Aqui a página alemã erra três vezes, e os três erros vão na mesma direção: fazem a regulação parecer mais adiantada do que é. Conferi cada prazo no ato original, e a lei está mais atrasada que a manchete — menos num ponto, que é o brasileiro.

Linha do tempo com cinco marcos em vigor: TAKE IT DOWN Act nos Estados Unidos com remoção em 48 horas desde maio de 2025; Reino Unido com a criação de imagem íntima falsa como crime desde fevereiro de 2026; Resolução 23.755 do TSE brasileiro de março de 2026 com blackout de conteúdo sintético; Lei 15.487 de agosto de 2026 reescrevendo os artigos 241-C, D e E do Estatuto da Criança e do Adolescente; e a obrigação de rotulagem do AI Act europeu desde 2 de agosto de 2026, com multa de até 15 milhões de euros ou 3% do faturamento.O que já vale, com data conferida no ato originalCinco marcos em vigor — e três normas que circulam como aprovadas sem estarmai/2025EUA: remoção 48hfev/2026UK: criar é crimemar/2026TSE: blackout 72h2/ago/2026UE: rotulagem6/ago/2026ECA: sintéticoFontes: EUR-Lex (AI Act), Congress.gov, DOU, legislation.gov.uk, DJE/TSE. Conferido em 28/08/2026. ulissesflores.com/deepfake

A figura é a lista do que se pode cobrar hoje. O que não está nela, e circula como se estivesse:

  1. A remoção em 48 horas da TAKE IT DOWN Act já vale desde 19 de maio de 2025. A página alemã marca maio de 2026 como a entrada em vigor — mas essa data é o prazo para as plataformas terem o processo de recebimento pronto, não o começo da obrigação. É um erro que atrasa o direito da vítima em um ano inteiro.
  2. A Dinamarca não aprovou lei nenhuma. O que existe é um anteprojeto que foi a consulta pública e nunca chegou a ser apresentado ao parlamento. O texto o descreve como marco aprovado.
  3. A NO FAKES Act americana não é lei. Foi aprovada na Comissão de Justiça do Senado em 18 de junho de 2026 — passo real, mas ainda a metade do caminho.

E há uma quarta correção, no sentido inverso, que só aparece quando se lê o ato britânico: o Reino Unido tornou a criação de imagem íntima falsa um crime autônomo, em vigor desde 6 de fevereiro de 2026. Não é apenas remover: é criminalizar quem faz. Nenhum dos compilados que li tinha essa data.

O maior caso de 2026 não está em nenhum artigo de estatística

Todos os textos sobre deepfake abrem com a Arup — os US$ 25,6 milhões perdidos numa videochamada em janeiro de 2024. Nenhum menciona o que aconteceu na virada de 2025 para 2026, que mobilizou cinco reguladores em três semanas: a função de edição de imagem do Grok, no X, passou a atender pedidos para "despir" fotos de pessoas reais.

ÓrgãoAtoDataSanção possível
Ofcom (Reino Unido)Investigação formal contra a X sob a Online Safety Act12/01/2026até £ 18 milhões ou 10% da receita mundial
Comissão EuropeiaInvestigação formal sob a Digital Services Act (IP/26/203)26/01/2026procedimento em curso
Procuradoria-Geral da CalifórniaInvestigação sobre a xAI14/01/2026procedimento em curso
ICO (Reino Unido, proteção de dados)Investigação formal03/02/2026até £ 17,5 milhões ou 4% do faturamento
Governo francêsComunicação ao Ministério Público (art. 40 CPP) e acionamento da Arcom02/01/2026procedimento em curso

Nenhuma multa foi aplicada até hoje; todos os processos seguem abertos. E o caso repete, em tempo real, exatamente o problema deste artigo: os cinco atos regulatórios são documentos públicos e conferíveis; todos os números de volume que circulam sobre ele não são. O "uma imagem sexualizada não consensual por minuto" é de uma empresa de detecção; o "6.700 por hora" está atrás de assinatura; o "7.751 por hora" e "1,8 milhão de posts" aparecem num comunicado parlamentar americano atribuído a "pesquisadores", sem link para a pesquisa. Não uso nenhum dos quatro. Fica registrado o que dá para provar: cinco reguladores abriram investigação em três semanas, e isso não é pouco.

O que a legislação europeia exige agora — rotular conteúdo gerado por máquina — é o assunto que tratei em a marca d'água que o Claude passou a embutir no texto: o AI Act cobra a marcação, e a parte difícil é que marcar funciona muito melhor para quem quer ser honesto do que contra quem não quer.


Brasil: a melhor medição pública do mundo é daqui, e a eleição é em outubro

O dado que eu procurava no mundo inteiro existe, é público, e é brasileiro. O Painel TIC do Cetic.br/NIC.br (n = 5.250, campo entre agosto e setembro de 2025) fez o que nenhuma das pesquisas europeias fez: perguntou e depois testou.

  • 41% dizem ter contato diário com conteúdo sintético;
  • 41% se dizem confiantes para identificar conteúdo falso;
  • 17% ficaram no grupo de melhor desempenho no teste objetivo;
  • e não houve correlação entre a confiança declarada e o acerto.

Essa última linha é a mais importante das quatro, e é a que nunca circula. Quem se acha bom em detectar deepfake não é melhor em detectar deepfake — a confiança não prevê nada. É o mesmo achado de Köbis et al. (2021), que mediu correlação negativa entre confiança e acurácia (r = −0,475), agora reproduzido em amostra brasileira representativa.

A régua do começo do artigo, agora com os dados de cada seção encaixados:

Diagrama em cadeia com cinco caixas, cada uma com o número que produziu. Plataforma do fornecedor: um ataque a cada cinco minutos e 88% em cripto, medidos na carteira de clientes. Pesquisa de opinião do fornecedor: 6,5% das tentativas de fraude, estimadas por 1.206 gestores. Órgão oficial: 893 milhões de dólares, que são 4,28% das perdas e uma etiqueta de texto. Academia revisada por pares: 55,5% e 56,1% de acerto humano, com o intervalo da maior meta-análise cruzando os 50%. Censo com teste objetivo, em destaque: 41% se dizem confiantes e 17% foram bem, sem correlação entre as duas coisas.A mesma régua, com os números deste artigoCada caixa produziu um número; só a última mediu a distância entre achar e acertar1. Plataforma do fornecedor: 1 ataque a cada 5 min; 88% criptoEntrust e Sumsub, medido na própria plataforma. Descreve a clientela, não o crime.2. Opinião paga pelo fornecedor: 6,5% das tentativasSignicat/Censuswide, 1.206 gestores estimando as próprias empresas. Nenhum ataque contado.3. Órgão oficial: US$ 893 mi — 4,28% das perdasFBI IC3 2025. A etiqueta é "contém referência a IA": descritor de texto, não crime.4. Academia: 55,5% e 56,1% de acerto humanoDiel 2024 e Stockner 2026. Na maior meta-análise, o intervalo cruza os 50% — uma moeda.5. Teste objetivo: 41% se dizem confiantes, 17% acertaramCetic.br, n=5.250. E a confiança declarada não teve correlação nenhuma com o acerto.Fontes conferidas entre 26 e 28/08/2026; procedência de cada cifra nas seções acima. ulissesflores.com/deepfake

Repare que as duas primeiras caixas — as que produziram sete das sete cifras da tabela alemã — são as únicas que não medem população nenhuma. E a última, a única que mede, produziu o número que ninguém repete.

O que já está valendo aqui, e o que vem em outubro

A Resolução 23.755 do TSE, de 2 de março de 2026, é mais dura do que a cobertura sugere, e tem uma particularidade que fecha o círculo deste artigo: a palavra "deepfake" não aparece uma única vez no texto. A norma fala em "conteúdo sintético multimídia gerado por meio de inteligência artificial ou tecnologia equivalente" — o mesmo movimento do FBI, que também não usa o termo da imprensa. Os órgãos que precisam da definição para aplicar sanção fogem da palavra; quem produz manchete, não.

Três dispositivos que mudam o jogo em outubro:

  1. Blackout de 72 horas (art. 9º-B, § 3º-A). Entre 72 horas antes e 24 horas depois da votação, ficam vedadas publicação, republicação e impulsionamento de conteúdo sintético — e a norma diz "mesmo que rotulados". O § 4º manda remover de imediato.
  2. Inversão do ônus da prova (art. 9º-I). O juiz pode inverter o ônus quando a manipulação for tecnicamente difícil de comprovar. É a resposta jurídica exata aos 55,5% de acerto humano: se a literatura diz que ninguém detecta de forma confiável, exigir que a vítima prove a falsificação é exigir o impossível — então prova quem publicou.
  3. Proibição ao próprio provedor de IA (art. 15, § 1º-C). É vedado ao provedor ranquear ou recomendar candidato, opinar sobre voto — inclusive por resposta automatizada — e gerar cena de sexo ou nudez com candidato. A regra não mira só quem usa a ferramenta; mira quem a opera.

Um adendo quente, marcado como o que é. Em 25 de agosto de 2026 — três dias antes de eu fechar este texto — o ministro André Mendonça, do STF e vice-presidente do TSE, decidiu uma representação eleitoral, mandou retirar em 24 horas um vídeo sintético e, na mesma decisão, propôs ao plenário uma tese sobre o que conta como "deep fake": para fins do art. 9º-C, § 1º, seria o conteúdo sintético que "apresente grau de realismo ou verossimilhança objetivamente apto a produzir falsa percepção de autenticidade". É proposta de tese dentro de uma decisão individual — não é julgamento de plenário nem mudança da Resolução 23.755, que segue valendo como está. E entra aqui como apuração de imprensa, não como ato conferido: quatro veículos transcrevem o critério de forma concordante, com autor e horário — O Globo às 20h01, o g1 às 20h31 e a Agência Brasil às 21h44 do dia 25, o JOTA às 10h36 do dia 26 —, mas o inteiro teor e o número do processo não estão no PJe público, na página de notícias do TSE, nem em nenhum dos portais que consultei. Se aparecerem, atualizo com o número dos autos. Registro assim porque este é o ponto em que a régua do artigo se vira contra o próprio autor: o verbo que virou manchete não é do ministro — "flexibilizar" está no título do g1, não em nenhuma das aspas atribuídas à decisão —, e a leitura de que caricatura e paródia sairiam do regime especial é interpretação do critério, não texto da tese. É o mesmo mecanismo que o resto deste artigo audita, acontecendo com um gancho que me interessa.

O resto do quadro brasileiro, conferido

  • Lei 15.487/2026 (6 de agosto de 2026) reescreveu os arts. 241-C, D e E do Estatuto da Criança e do Adolescente para alcançar material sintético. Já vale.
  • Lupa: casos de desinformação com IA saltaram de 39 (4,6% do total) em 2024 para 159 (25%) em 2025 — de um em vinte para um em quatro.
  • SaferNet: 16 casos escolares documentados entre 2023 e 2025, em 10 estados, com 72 vítimas e 57 agressores; a central recebeu 87.689 denúncias em 2025, alta de 28,4%.
  • Três negativas que também são resultado: a Febraban não mede deepfake; a Lei 14.811/2024 e o ECA Digital (Lei 15.211/2025) não mencionam o termo, ao contrário do que circula; e não encontrei pesquisa de instituto brasileiro de opinião sobre percepção de deepfake.

O que eu faria com isso

Três hábitos, que é o que sobra depois de três dias conferindo.

Antes de repetir uma cifra, pergunte de qual das cinco caixas ela saiu. Não é preciso ser especialista: basta procurar quem pagou pela medição e o que foi contado. Se a resposta for "a plataforma da empresa que vende o detector", o número é verdadeiro e descreve a clientela dela.

Trate o "eu reconheceria" como o dado menos confiável que você tem sobre si. A evidência é consistente em quatro países e em duas meta-análises: o acerto humano fica na casa dos 55%, e a confiança não prevê o acerto. A defesa que funciona não é o olho — é o segundo canal. Na Arup, uma ligação para um número conhecido teria custado trinta segundos e evitado US$ 25,6 milhões. Combine hoje uma palavra ou um canal de confirmação com quem pode te pedir dinheiro; é grátis.

Se você trabalha com eleição, marque 72 horas no calendário. A partir de 72 horas antes da votação de outubro, conteúdo sintético não pode ser publicado nem impulsionado — mesmo rotulado. Rótulo não salva no blackout.

E, se quiser refazer o que fiz: são três comandos. Baixe o relatório do IC3, extraia o texto e conte a etiqueta você mesmo:

pdftotext ic3-2025-annual-report.pdf - | grep -c "AI Related"

A contagem do painel da Resemble AI está no script que publico junto com este texto (capturar-resemble.py, navegador real porque a página é renderizada por JavaScript). A tabela do Cetic.br é pública e vem em planilha. Se der diferente do que publiquei, me mande — atualizo e credito.


Fontes

  • SignicatFraud attempts with deepfakes have increased by 2137% over the last three years (fev. 2025). Pesquisa Censuswide, n = 1.206 gestores de fraude, 7 países.
  • Entrust / OnfidoIdentity Fraud Report 2024-2025.
  • SumsubIdentity Fraud Report 2025 e 2023.
  • iProovDeepfake detection study (fev. 2025), n = 2.000 (Reino Unido e EUA).
  • Resemble AIGlobal Deepfake Incident Database, https://www.resemble.ai/learn/deepfake-incident-database (contagem própria, 28/08/2026) e 2025 Deepfake Threat Report.
  • DeloitteGenerative AI is expected to magnify the risk of deepfakes and other fraud (mai. 2024).
  • FBI IC32025 Internet Crime Report (abr. 2026).
  • Diel, A. et al.Human performance in detecting deepfakes: A systematic review and meta-analysis. Computers in Human Behavior Reports, 2024. DOI: 10.1016/j.chbr.2024.100538.
  • Stockner, M.; Convertino, G.; Cambedda, S.; Mazzoni, G.Are humans able to discriminate between real and deepfake faces? A systematic review and meta-analysis. Computers in Human Behavior: Artificial Humans, 2026. DOI: 10.1016/j.chbah.2026.100332.
  • Köbis, N. et al.Fooled twice: People cannot detect deepfakes but think they can. iScience, 2021.
  • Groh, M. et al.Deepfake detection by human crowds, machines, and machine-informed crowds. PNAS, 2022.
  • BitkomDeepfakes (jun. 2026), n = 1.006.
  • BSICybersicherheitsmonitor 2026 (abr. 2026), n = 3.060.
  • Cetic.br / NIC.brPainel TIC — Percepções sobre desinformação e conteúdo sintético (n = 5.250, campo ago.-set. 2025).
  • TSE — Resolução 23.755, de 2 de março de 2026, e Resolução 23.610/2019 (arts. 9º-B e 9º-C).
  • Decisão de 25/08/2026 do ministro André Mendonça (TSE) — apuração de imprensa, sem inteiro teor localizado. Fontes secundárias jornalísticas: O Globo, Mariana Muniz, 25/08/2026 20h01; g1, Márcio Falcão, 25/08/2026 20h31; Agência Brasil, André Richter, 25/08/2026 21h44; JOTA, Flávia Maia, 26/08/2026 10h36 (transcrição mais completa da tese).
  • Brasil — Lei 15.487/2026; Lei 15.123/2025.
  • União Europeia — Regulamento (UE) 2024/1689 (AI Act), arts. 50(4), 99(4)(g) e 113.
  • Estados Unidos — TAKE IT DOWN Act (Public Law 119-12, 19/05/2025); NO FAKES Act, S.4591.
  • Reino Unido — Online Safety Act 2023; SI 2024/1188; Data (Use and Access) Act 2025.
  • OfcomOfcom launches investigation into X over Grok sexualised imagery (12/01/2026).
  • Comissão Europeia — IP/26/203, Commission investigates Grok and X's recommender systems under the DSA (26/01/2026).
  • ICOICO announces investigation into Grok (03/02/2026).
  • Procuradoria-Geral da Califórnia — comunicado de 14/01/2026.
  • Lupa e SaferNet Brasil — levantamentos de 2025.

O que foi verificado, contra o quê e quando. Todas as cifras acima foram conferidas contra a fonte nomeada entre 26 e 28 de agosto de 2026. Não li os relatórios completos da Signicat, da Sumsub nem da Resemble AI — estão atrás de formulário de cadastro, e usei os comunicados públicos. Do artigo de Stockner et al. (2026) li o resumo depositado pelo editor, não o texto integral. Não localizei o inteiro teor da decisão de 25/08/2026 do ministro André Mendonça no TSE em nenhuma das fontes que consultei — nem o número do processo — e por isso ela entra no texto marcada como apuração de imprensa, sobre a transcrição concordante de quatro veículos, e não como ato conferido. Não reverifiquei os números de volume do caso Grok, e por isso nenhum deles está no texto.