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Artigos Publicado em 25 de agosto de 2026

O gráfico viral coroa o Mac, a tabela coroa o Spark: medi 43 mil chamadas e o vencedor não é máquina nenhuma

Duas imagens virais comparam Mac Studio M5 Ultra 256 GB, RTX 5090, RTX PRO 6000 e DGX Spark em "valor por dólar" para rodar IA em casa. Fui conferir: a métrica multiplica estoque por vazão, o preço do Spark morreu em fevereiro e a PRO 6000 entrou sem hospedeiro. Depois refiz a conta que interessa — tokens por dólar contra a API do mesmo modelo — e a primeira versão dela assumia que uma pessoa usa a máquina 1 % do tempo. Medi 43.593 chamadas reais de agente de código nesta máquina: o 1 % não descreve ninguém (chat fica perto de 0,03 %; agente, entre 10 % e 30 %), 96 % da entrada é releitura de contexto, e trocar a regra de cobrança dessa releitura move a conta 16 vezes, enquanto trocar de máquina move 3,6. No único regime em que a máquina mais barata ganha (1,5x), o dia de pico dela não cabe no dia e a chamada média, de 151,9 mil tokens, não cabe no contexto do modelo. Compre por soberania, não por economia.

#ia#llm#hardware#custo#inferencia-local

A Apple anunciou hoje o Mac Studio com M5 Ultra: 256 GB de memória unificada, 1,2 TB/s de banda, US$ 9.499. Em poucas horas ele já ocupava o primeiro lugar de um gráfico, e uma linha de uma tabela, que circulam como comparação de "valor por dólar" para rodar IA em casa — contra a RTX 5090, a RTX PRO 6000 e o DGX Spark da NVIDIA. O gráfico coroa o Mac; a tabela coroa o Spark.

Fui conferir os dois, e a primeira versão da minha conta dizia o que eu esperava: nenhuma dessas máquinas se paga contra a API do mesmo modelo, porque uma pessoa sozinha usa a máquina uma fração de 1 % do tempo. Aí o autor deste site fez a pergunta certa: "1 % de uso não me parece usual; se for, tem de ser provado". Fui provar. O 1 % não descreve ninguém — e o que decide quem ganha não é a máquina. É a regra de cobrança de uma coisa que quase ninguém olha: a releitura.


O gráfico viral mede a coisa errada, e os preços dele já morreram

O gráfico "Memory Performance Value per Dollar" faz uma conta simples: memória (GB) vezes banda (GB/s), dividido pelo preço, normalizado no DGX Spark. Refiz as sete linhas. A aritmética confere, 7 de 7. O problema não é a conta; é o que a conta multiplica.

Memória é um estoque: ou o modelo cabe, ou não cabe. Ter 256 GB quando o modelo ocupa 63 GB não gera um token a mais do que ter 96 GB. Banda é uma vazão: é ela, e só ela, que fixa o teto de velocidade de geração. Multiplicar os dois dá "GB² por segundo por dólar" — uma unidade que não corresponde a nada físico. É avaliar carro por tamanho do tanque vezes velocidade máxima: um caminhão-tanque ganha da Ferrari, e a conta não erra em lugar nenhum.

O próprio gráfico admite, no rodapé: "this is a memory-hosting value metric, not a direct tokens/sec benchmark". Mas o título diz "performance", o corpo é um pódio de 1 a 7, e ninguém lê o rodapé de um pódio.

E há um segundo defeito, independente do primeiro: os preços.

SistemaPreço no gráficoPreço verificado (agosto/2026)O que aconteceu
RTX 5090 "PC"US$ 6.500placa ~US$ 4.400 + hospedeirocorreto: somaram o PC
RTX PRO 6000 "PC"US$ 16.000placa US$ 16.000 (NVIDIA Marketplace, 14/08/2026)hospedeiro não somado
DGX SparkUS$ 4.000US$ 4.699 (reajuste oficial, fevereiro/2026)preço morto há seis meses

A coluna chama-se "preço" e as duas linhas chamam-se "PC", mas só a 5090 pagou o computador em volta. A placa mais cara da lista é a única que entrou nua. E o Spark — que é a régua do gráfico inteiro, "normalizado a 1,00x" — entrou com um preço que a NVIDIA reajustou em fevereiro. Corrigindo só os preços e mantendo a métrica deles intacta, o Spark cai do sexto para o último lugar, e a 5090 quase encosta na PRO 6000 (1,31x contra 1,32x) quando as duas pagam hospedeiro.

O pódio que a casa publica separa o que o gráfico fundiu:

Três blocos de barras horizontais, um por régua. Capacidade por dólar: o DGX Spark lidera por um fio, seguido do Mac M5 Ultra 256 GB, da RTX PRO 6000 com hospedeiro e da RTX 5090 com hospedeiro. Banda por dólar: a RTX 5090 com hospedeiro lidera, seguida do Mac, da RTX PRO 6000 e do DGX Spark por último. Tokens por segundo medidos por dólar no gpt-oss-120b: o DGX Spark lidera, a RTX PRO 6000 vem atrás, o Mac aparece como projeção sem benchmark e a RTX 5090 aparece com barra vazia, marcada como não roda o modelo.O pódio, separado em três réguasCada régua normalizada ao melhor dela (= 100); o valor real no rótulo · preços de agosto/2026CAPACIDADE POR DÓLARNVIDIA DGX Spark27,2 GB/k$Mac M5 Ultra 256GB27,0 GB/k$RTX PRO 6000 + PC5,5 GB/k$RTX 5090 + PC5,4 GB/k$BANDA POR DÓLARRTX 5090 + PC304 GB/s/k$Mac M5 Ultra 256GB126 GB/s/k$RTX PRO 6000 + PC102 GB/s/k$NVIDIA DGX Spark58 GB/s/k$TOKENS/S MEDIDOS POR DÓLAR (GPT-OSS-120B)NVIDIA DGX Spark12,9 t/s/k$RTX PRO 6000 + PC11,2 t/s/k$Mac M5 Ultra 256GBsem benchmark — projeção fora da réguaRTX 5090 + PCnão roda (32 GB < 62,8 GB)Fontes: apple.com · nvidia.com · NVIDIA Marketplace · llama.cpp #15396/#16578 · 25/08/2026 · ulissesflores.com/tokens

Repare que o pódio muda conforme a régua. Em capacidade por dólar o Spark ganha por um fio do Mac (27,2 contra 27,0 GB por mil dólares) e as duas NVIDIA avulsas ficam cinco vezes atrás. Em banda por dólar a 5090 ganha com folga — e o Spark é o último. Em tokens por segundo medidos, a única das três réguas que é "tokens por dólar" de verdade, o Spark volta a ganhar; a 5090 nem entra, porque não roda o modelo, e o Mac fica fora por falta de medição. A mesma máquina é primeira, última e primeira de novo. Quem funde as três réguas num pódio só escolheu o vencedor antes de medir.


Os três portões

Antes de qualquer conta de dólar, três perguntas em ordem, e uma máquina que reprova numa não passa para a seguinte.

1. Cabe?

O modelo aberto que faz sentido comparar é o gpt-oss-120b: 116,8 bilhões de parâmetros, dos quais 5,1 bilhões trabalham por token (é um modelo de "especialistas", como a brigada de cozinha que expliquei no artigo sobre memória), e que é servido por API a US$ 0,15 por milhão de tokens de entrada e US$ 0,60 por milhão de saída. Quantizado no formato em que ele foi publicado, ocupa 62,8 GB.

Barras horizontais de memória. Um bloco isolado mostra o que o modelo exige: 62,8 GB. O bloco seguinte mostra cada máquina: RTX 5090 com 32 GB, abaixo do exigido e marcada como não cabe; RTX PRO 6000 com 96 GB; DGX Spark com 128 GB; Mac M5 Ultra com 256 GB.O portão de capacidade: o modelo exige 62,8 GBMemória de cada máquina contra o que o gpt-oss-120b ocupa em MXFP4O QUE O MODELO EXIGEgpt-oss-120b62,8 GB em MXFP4O QUE CADA MÁQUINA TEMRTX 5090 + PC32 GB — não cabeRTX PRO 6000 + PC96 GBNVIDIA DGX Spark128 GBMac M5 Ultra 256GB256 GBFontes: specs oficiais dos fabricantes (25/08/2026) · peso do modelo: fontes/E do dossiê · ulissesflores.com/tokens

A RTX 5090 tem 32 GB. Ela sai aqui, nomeada — não porque seja ruim, mas porque não roda justamente o tipo de modelo pelo qual se compra uma dessas caixas. Nas tabelas que seguem ela não aparece, e a ausência é o dado.

2. Anda?

Gerar um token exige ler os pesos que participam daquele token. Por isso a velocidade de geração tem um teto físico: banda de memória dividida por bytes lidos por token. Mas o teto é limite, não promessa — o que importa é o medido, e medido separando duas coisas que a tabela viral junta: prefill (ler o que você mandou, limitado por cálculo) e decode (escrever a resposta, limitado por banda).

MáquinaBandaPrefill (t/s)Decode (t/s)Quem mediu
RTX PRO 6000 + PC1.792 GB/s5.518196llama.cpp, discussão #15396
DGX Spark273 GB/s1.95660,57llama.cpp, discussão #16578
Mac Studio M5 Ultra 256 GB1.200 GB/s~2.900 (projeção)~130 (projeção)ninguém — anunciado hoje

Duas coisas para ler nessa tabela. A primeira: a PRO 6000 é 3,2 vezes mais rápida que o Spark em decode, e 2,8 em prefill, com 6,6 vezes a banda. A segunda: o Mac não tem número. O M5 Ultra foi anunciado hoje e chega às lojas em 22 de setembro; não existe benchmark publicado. A linha dele é projeção — 1.200 GB/s divididos pelos bytes ativos do modelo, vezes a eficiência de 30 % que o M3 Ultra, o último chip Ultra medido, atinge nesse tipo de modelo. Vou marcar isso toda vez que o Mac aparecer, porque a máquina que lidera o gráfico viral é a única que ninguém mediu.

3. Compensa? — a curva que eu tinha desenhado

Numa API você paga por token. Numa máquina você paga uma vez e produz tokens até ela morrer. As duas grandezas só se comparam depois de amortizar a compra pelos tokens que ela vai gerar — e o número de tokens depende de uma variável que as tabelas virais omitem: quanto do tempo a máquina está de fato gerando.

Gráfico de linha em escalas logarítmicas. Uma curva desce da esquerda para a direita: o custo por milhão de tokens do DGX Spark cai conforme a utilização sobe. Uma linha horizontal marca o preço da API. Um ponto destacado em 1 % de utilização mostra o Spark a cerca de 60 vezes o preço da API. A curva só cruza a linha da API perto de 100 % de utilização.O que eu tinha assumido: uma pessoa usa 1 % do tempoUS$ por milhão de tokens de saída x utilização · DGX Spark, gpt-oss-120b, mix chat 3:1, 3 anos1101001.00010.0000,01 %0,1 %1 %10 %100 %o 1 % que eu tinha assumidoDGX SparkAPI do mesmo modeloUtilização (fração do tempo gerando, escala logarítmica)Fonte: calc_mix.py do dossiê · 3 anos, US$ 0,12/kWh (EUA), residual 30 %, lote 1 · ulissesflores.com/tokensUS$ por milhão de tokens de saída (log)

Foi essa a primeira figura que desenhei. A 1 % de utilização — a fração que eu tinha assumido para "uma pessoa sozinha" — o Spark custa US$ 62,82 por milhão de tokens de saída contra US$ 1,05 na API, no mix de chat que essa curva usa: 60 vezes mais caro. A curva só cruza a linha da API perto de 100 %, ou seja, com a máquina gerando token 24 horas por dia, 7 dias por semana. A conclusão parecia pronta: a máquina só se paga quando você deixa de ser usuário e vira provedor.

E aí veio a pergunta: quem disse que é 1 %?

Fui procurar a fonte. Não existe. Ninguém publica quantas horas por dia uma máquina caseira gera token: o Ollama não coleta telemetria, o LM Studio coleta e não publica, e a única cifra em circulação — "2 a 5 % do tempo de relógio" — é uma estimativa de autor único, rotulada como estimativa pelo próprio autor. O 1 % era meu. Estava na minha metodologia, escrita antes dos dados, como premissa. Premissa não é prova.


Medi. O 1 % não descreve ninguém

Esta máquina roda agentes de código o dia inteiro. Cada chamada ao modelo deixa um registro de quantos tokens entraram e saíram — sem conteúdo, só a contabilidade. Escrevi um programa que lê esses registros, conta cada chamada uma vez só e soma por dia. O resultado, para a janela de 24 de julho a 25 de agosto de 2026 (33 dias de parede, 29 com atividade):

Grandeza33 diasPor dia
Chamadas ao modelo43.5931.321
Tokens de saída (o que o modelo escreveu)44,6 milhões1,35 milhão
Tokens de entrada novos (o que ele leu pela primeira vez)247,7 milhões7,51 milhões
Tokens de entrada relidos (o que ele já tinha lido e leu de novo)6.374,3 milhões193,16 milhões

Convertendo essa carga no tempo que cada máquina levaria para produzi-la — tokens de saída divididos pela velocidade de decode, mais tokens de entrada divididos pela velocidade de prefill — sai a utilização que a carga imporia a cada uma. Não a que eu assumi; a que a carga exige.

O mesmo gráfico de linha em escalas logarítmicas, agora com três curvas quase sobrepostas: DGX Spark, RTX PRO 6000 com hospedeiro e Mac M5 Ultra como projeção, tracejada. A linha horizontal da API continua. Três pontos ancorados sobre a curva do Spark, no mix medido: o usuário mediano de chat a 0,04 % de utilização, o usuário diário intenso de chat a 0,4 %, e o agente de código medido nesta máquina a 30 %, quase encostado na linha da API. O ponto de 1 % que eu tinha assumido aparece vazado e esmaecido, entre os dois extremos, sem descrever nenhum deles.A mesma curva, com três pessoas de verdade em cima delaUS$/Mtok de saída x utilização · 3 máquinas, gpt-oss-120b, mix medido 5,6:1, 3 anos1101001.00010.0000,01 %0,1 %1 %10 %100 %o 1 % que eu tinha assumidoChat mediano (~1.800 tok/dia)Chat intenso (~18 mil tok/dia)Agente medido aqui (1,35 M tok/dia)NVIDIA DGX SparkRTX PRO 6000 + PCMac M5 Ultra (projeção)API do mesmo modeloUtilização (fração do tempo gerando, escala logarítmica)Fonte: 43.593 chamadas reais (24/07-25/08/2026) · chat: ordem de grandeza · ulissesflores.com/tokensUS$ por milhão de tokens de saída (log)

Repare onde os pontos caíram. O 1 % que eu tinha assumido fica no meio de um vazio.

QuemTokens de saída/diaDGX SparkRTX PRO 6000Mac M5 Ultra (projeção)De onde vem
Usuário mediano de chat~1.8000,038 %0,012 %0,018 %3,6 mensagens/dia (NBER, OpenAI + Harvard) x ~500 tokens/resposta (Epoch AI) — ordem de grandeza, conta empilhada
Usuário diário intenso de chat~18.0000,376 %0,118 %0,182 %dez vezes o mediano; a Pew mede 4 % de adultos usando "quase constantemente" — sem tokens medidos
Agente de código (medido aqui)1,35 milhão30,2 %9,5 %15,0 %43.593 chamadas reais, 33 dias

Na mesma máquina, do usuário mediano de chat ao agente de código vão 805 a 826 vezes — quase três ordens de grandeza. O 1 % fica de 27 a 85 vezes acima de quem conversa com um chatbot e de 10 a 30 vezes abaixo de quem roda agente o dia inteiro. Ele não é a média de ninguém: é o número que cai no buraco entre os dois únicos grupos que existem.

Duas ressalvas antes de seguir. Os ~1.800 tokens por dia do usuário mediano não são medição: nenhuma empresa publica tokens por pessoa, e o número é uma conta empilhada sobre uma média de mensagens e uma premissa de terceiros sobre o tamanho da resposta — vale como ordem de grandeza, nunca como dado. E os 1,35 milhão por dia medidos aqui não são um humano: são a saída de uma frota de subagentes rodando em paralelo. Um traço de produção do GitHub Copilot, com 3,2 milhões de usuários, põe um desenvolvedor humano pesado na casa de 10⁵ tokens de saída por dia; 10⁶ é volume de frota automatizada. Esta máquina está na segunda faixa, e é a carga mais intensa a que tenho acesso — o que a torna útil exatamente como teste de estresse: se nem ela paga a máquina, ninguém paga.

E quase não paga. Para empatar com a API, cada máquina precisa de uma utilização sustentada de 50 % a 60 % — de 2,24 a 8,53 milhões de tokens de saída por dia, todo dia, por três anos. A carga medida aqui é 60 % do necessário no Spark, 28 % no Mac, 16 % na PRO 6000. Mas "quase" aqui esconde a reviravolta do artigo, e ela está na última linha daquela tabela de 33 dias.


Nove de cada dez tokens que um agente processa são releitura

Volte à tabela da carga. O modelo escreveu 44,6 milhões de tokens. Leu pela primeira vez 247,7 milhões. E releu 6.374,3 milhões — tokens que já tinha lido numa chamada anterior e leu de novo na seguinte.

Isso não é desperdício; é o jeito como um agente funciona. Pense num estagiário a quem você entrega uma pasta de duzentas páginas e pede uma tarefa. Ele lê a pasta, escreve uma linha, e antes de escrever a linha seguinte relê a pasta inteira — porque a linha seguinte depende de tudo que veio antes. A cada chamada, o modelo recebe a conversa inteira desde o começo: as instruções, os arquivos abertos, o que ele mesmo escreveu. O que cresce a cada passo é o que ele ; o que ele escreve é uma linha.

Aqui, de cada 100 tokens que entraram no modelo, 96 eram releitura. O mix entrada:saída medido é de 5,6 para 1 contando só o que é novo, e de 148,6 para 1 contando tudo que o modelo viu. Não é 3:1, o mix de chat que quase toda comparação assume; não é 10:1, o que se costuma chamar de "mix de agente". É duas ordens de grandeza a favor da entrada.

Barras horizontais com a fração de releitura em quatro medições de carga de agente de código: GitHub Copilot em produção com 95,4 %, a migração do Bun com 92,4 %, uma sessão de exemplo da documentação da Anthropic com 99,4 % e esta máquina com 96 %. Todas as barras ficam acima de 90 %.Quanto da entrada de um agente de código é releituraFração da entrada já lida antes · Copilot: 3,2 M usuários, 1 semana · Bun: 11 dias · aqui: 43.593 chamadasFRAÇÃO DA ENTRADA QUE É RELEITURACopilot (produção)95,4 %Bun (64 agentes)92,4 %Anthropic (1 sessão)99,4 %Esta máquina96,3 %Fontes: arXiv 2608.00101 · Bun via Simon Willison · doc da Anthropic (1 sessão) · esta máquina · ulissesflores.com/tokens

Não é peculiaridade desta máquina. O único traço de produção em escala que existe — o do GitHub Copilot, publicado em agosto (3,2 milhões de usuários, uma semana, stack independente do que uso aqui) — mede a mesma coisa: razão entrada:saída mediana acima de 275 para 1, com 95,4 % do prompt vindo de cache. Duas confirmações de caso, ambas com o Claude Code: a migração do Bun de Zig para Rust (64 agentes, 11 dias, 92,4 % de releitura) e uma sessão de exemplo na documentação da Anthropic (99,4 % — é uma sessão de exemplo, não uma população; entra aqui como ilustração). Quatro medições, quatro stacks ou casos diferentes, todas acima de 90 %.

Nove de cada dez tokens que um agente de código processa são releitura. Guarde esse número: é ele que a comparação de tokens por dólar não vê.


Quem paga a releitura decide o vencedor

Agora a pergunta que a tabela viral não faz. Um provedor de API cobra a releitura — mas cobra barato: no gpt-oss-120b, um token relido custa US$ 0,015 por milhão, um décimo do token novo, porque o provedor guarda em memória o que já processou (o "cache") e não refaz a conta. A máquina local relê de graça, se o resultado da leitura anterior ainda estiver na memória dela quando a chamada seguinte chegar. Se não estiver, ela reprocessa tudo, e paga em tempo.

Ou seja: a mesma carga tem três preços, conforme a regra que se aplica à releitura. Coloquei a carga de 33 dias, projetada plana por três anos, contra o preço de compra de cada máquina (menos 30 % de valor residual) mais a energia do tempo gerando, a US$ 0,12 por kWh — o preço dos Estados Unidos, onde a conta favorece a máquina; no Brasil ela fica ainda mais a favor da API.

RegimeAPI, 3 anosDGX SparkRTX PRO 6000 + PCMac M5 Ultra (projeção)
B. API cobra releitura; local retém o cacheUS$ 5.293US$ 3.423 — ganha 1,5xUS$ 12.431 — perde 2,3xUS$ 6.877 — perde 1,3x
C. API cobra releitura; local relê tudoUS$ 5.293não cabe no diaUS$ 13.197 — perde 2,5xUS$ 8.044 — perde 1,5x
D. API cobra releitura a preço cheio, sem desconto de cache; local retémUS$ 33.847US$ 3.423 — ganha 9,9xUS$ 12.431 — ganha 2,7xUS$ 6.877 — ganha 4,9x
A. (controle) releitura grátis dos dois ladosUS$ 2.120perde 1,6xperde 5,9xperde 3,2x

O regime A não existe no mercado — nenhum provedor isenta a releitura — e está aí só como controle: é o que a comparação viral faz sem dizer, quando compara o decode local com o preço de saída da API. O regime D também não é o preço de um provedor nomeado: é o limite superior, "e se a releitura custasse o mesmo que leitura nova?". A tabela de preços de um dos provedores lista o cache com um travessão, e não fui atrás de saber se o travessão significa "grátis" ou "não oferecemos"; por isso D entra como sensibilidade declarada, não como fatura.

O garfo real é B contra C, e ele é o mesmo hardware:

Dois blocos de barras horizontais. O primeiro, trocar a regra de cache com a mesma API: releitura grátis US$ 2.120, releitura com desconto US$ 5.293, releitura a preço cheio US$ 33.847 — uma variação de 16 vezes. O segundo, trocar de máquina no regime B: DGX Spark US$ 3.423, Mac M5 Ultra projeção US$ 6.877, RTX PRO 6000 com hospedeiro US$ 12.431 — uma variação de 3,6 vezes.O que move mais a conta: a regra de cache ou a máquina?Mesma carga de 33 dias a 3 anos · em cima muda a regra; embaixo, a máquina (regime B) · * = projeçãoTROCAR A REGRA DE CACHE (MESMA API) — 16,0XGrátis (A, controle)US$ 2.120Com desconto (B)US$ 5.293A preço cheio (D)US$ 33.847TROCAR DE MÁQUINA (REGIME B) — 3,6XNVIDIA DGX SparkUS$ 3.423Mac M5 Ultra *US$ 6.877RTX PRO 6000 + PCUS$ 12.431Fonte: calc_util.py §6 sobre a carga medida · preços de API de 25/08/2026 (Together, Fireworks, Groq) · ulissesflores.com/tokens

Trocar a regra de cobrança da releitura move o lado da API 16 vezes (de US$ 2.120 a US$ 33.847). Trocar de máquina move o lado do hardware 3,6 vezes (de US$ 3.423 a US$ 12.431). A pergunta "qual máquina?" — a única que a tabela viral faz — é a menos importante das duas. E os 6 de cada 10 dólares da fatura de API desta carga (US$ 95,62 de US$ 159,51) são releitura: o item mais barato da tabela de preços, a US$ 0,015, é o maior da conta, porque é multiplicado por 6,4 bilhões.

É isso que eu chamo de métrica incompatível, e é o mesmo pecado do gráfico viral em outra roupa. Comparar o decode de uma máquina com o preço de saída da API — o que toda comparação de "tokens por dólar" faz — é cobrar de um lado o que se isenta do outro. Com a regra declarada, o Spark sai de "perde 1,6x" (A) para "ganha 1,5x" (B) para "não cabe no dia" (C) para "ganha 9,9x" (D). O hardware não mudou uma vez sequer.

"Reter o cache" tem um orçamento, e ele cabe apertado

O regime B, o único em que a máquina mais barata ganha, supõe que a memória da máquina guarda o resultado da leitura anterior entre uma chamada e a seguinte. Isso ocupa espaço, e dá para calcular quanto, porque a arquitetura do modelo é pública.

No gpt-oss-120b, cada token de contexto retido custa 36 KiB de memória no formato padrão do llama.cpp — metade das 36 camadas do modelo só enxerga os últimos 128 tokens e não acumula nada; as outras 18 acumulam. (Com a opção de guardar tudo em todas as camadas, 72 KiB.) Um contexto cheio, 131.072 tokens, custa 4,8 GB. Descontados os 62,8 GB do modelo e a margem de execução, no Spark sobram uns 46 GB: cerca de 10 contextos cheios retidos ao mesmo tempo.

No dia de pico desta janela (20 de agosto: 8.145 chamadas), havia 9 projetos ativos — e um projeto pode ter vários subagentes vivos ao mesmo tempo, então 9 é um piso. O orçamento de cache do Spark fecha no limite; na PRO 6000 (33 GB livres, ~4 contextos com margem) não fecha. Na prática o cache é descartado e reprocessado, e a verdade do dia de pico cai em algum lugar entre B e C — entre "ganha 1,5x" e "não cabe no dia". Quem afirma "a máquina local relê de graça" está assumindo cache infinito.


O relógio e o contexto: o único regime em que a máquina ganha, ela não aguenta

Fica o fecho de capacidade, que é o mais simples e o mais duro. O dia tem 86.400 segundos. Converti o dia mais pesado da janela no tempo que cada máquina levaria para produzi-lo, em lote 1 — uma requisição de cada vez, que é como uma pessoa usa a máquina:

MáquinaDia de pico, retendo cache (regime B)Dia de pico, relendo tudo (regime C)
DGX Spark121 % do dia — não cabe (1,2 dia de trabalho)531 % — 5,3 dias
RTX PRO 6000 + PC38 % — cabe185 % — 1,9 dia
Mac M5 Ultra (projeção)60 % — cabe343 % — 3,4 dias
DGX Spark a 32 mil tokens de contexto (medido)188 %982 %

No regime B, o pico cabe na PRO 6000 e no Mac; só o Spark não cabe — a única das três que ganha no preço. No regime C, não cabe em nenhuma. Nenhuma das três ganha no preço e cabe no próprio dia de pico ao mesmo tempo. E a carga aqui é concorrente — vários agentes ao mesmo tempo —, o que ajudaria o decode se a máquina servisse em lote; não ajuda o prefill, que no regime C é 82 % do tempo no Spark.

A última linha da tabela merece uma frase própria. Todas as velocidades deste artigo são de contexto curto — o melhor caso do local. A única medição de contexto longo que existe para uma dessas máquinas é a do Spark a 32 mil tokens: o decode cai de 60,57 para 40,55 tokens por segundo, o prefill de 1.956 para 1.027. Com ela, o dia de pico vai a 188 % do dia. Para a PRO 6000 e o Mac não há medição de contexto longo em fonte nenhuma; fica declarado como não medido.

E contexto longo é o que esta carga pede:

Dois blocos de barras horizontais. O primeiro tem uma barra só: o teto de contexto do gpt-oss-120b, 131.072 tokens. O segundo mostra a distribuição da entrada por chamada nesta carga: mediana 125,3 mil, média 151,9 mil, percentil 90 de 299,5 mil e percentil 99 de 526,7 mil tokens. A mediana fica logo abaixo do teto do modelo; a média e os percentis altos ficam acima.Quanto contexto cada chamada carrega — contra o que o modelo aceitaEntrada por chamada (tudo que o modelo viu) · 43.593 chamadas · o gpt-oss-120b aceita 131.072O QUE O MODELO ACEITATeto do modelo131.072 tokens (gpt-oss-120b)O QUE A CARGA PEDE, POR CHAMADA (43.593 CHAMADAS)Mediana (p50)125,3 milMédia151,9 milp90299,5 milp99526,7 milFonte: dados/uso-chamadas.csv do dossiê, só agregados · config.json de openai/gpt-oss-120b · ulissesflores.com/tokens

A chamada média desta carga tem 151,9 mil tokens de entrada. O gpt-oss-120b aceita 131.072. A mediana (125,3 mil) cabe por pouco; 47,8 % das chamadas não cabem, e elas carregam 74,9 % de todos os tokens de entrada. A máquina que ganha no regime B não aceita quase metade das requisições da carga em que ganha — e a metade que ela recusa é a que tem o trabalho.

Há um último dado que nenhuma conversão captura: a carga medida foi produzida por um modelo de fronteira, que nenhuma dessas máquinas roda. A conversão para o gpt-oss-120b assume que o mesmo trabalho seria feito por ele; é o melhor caso do local, e é uma suposição.


O que eu faria com isso

Não compre por economia. Nesta carga — a mais pesada a que tenho acesso —, a três anos e no melhor regime do local, o resultado é empate técnico com um hardware que não aguenta o dia de pico nem aceita a chamada média. Se a sua carga é de chat, a máquina custa dezenas de vezes a API; se é de agente, a decisão fica na mão de uma regra de cobrança que não é sua.

Compre por soberania. Dado que não sai de casa, disponibilidade sem contrato, teto de gasto que não escala com o uso. São razões boas, e nenhuma delas se mede em tokens por dólar — se a decisão é por elas, a métrica está errada, e o gráfico viral não tem como ajudar.

Meça a sua própria carga antes de qualquer tabela. O programa que produziu os números deste artigo lê os registros de uso do agente e devolve só agregados — tokens novos, relidos e escritos por dia, e a distribuição de contexto por chamada. É isso que decide em que ponto da curva você está, e ninguém pode medir por você.

Olhe a fração de releitura do seu provedor antes de olhar o preço de saída. Se 9 de cada 10 tokens são releitura, o número que importa na tabela de preços é o último, o do cache — não o primeiro.

E, se comprar, escolha pelo portão, não pelo pódio. Cabe? Anda no modelo que você vai usar, com o contexto que você vai usar? Só então: compensa? A ordem importa, e a tabela viral a inverte.


Nota de verificação. Preços e especificações das quatro máquinas foram conferidos nas páginas oficiais dos fabricantes e na NVIDIA Marketplace em 25 de agosto de 2026; os preços de API, nas páginas de preço da Together, da Fireworks e da Groq na mesma data. As velocidades medidas vêm de benchmarks públicos do llama.cpp com modelo, quantização, contexto e versão declarados; a linha do Mac M5 Ultra é projeção, marcada em toda aparição, porque não existe benchmark do chip. A carga desta máquina foi extraída por código determinístico dos registros de uso do agente, contando cada chamada uma vez e sem ler conteúdo de conversa; a medição foi encerrada às 18h21 do dia 25 de agosto, antes de eu começar a analisá-la, e os registros brutos estão sujeitos à retenção da ferramenta — uma segunda extração, feita 96 minutos depois, encontrou 2,3 % menos chamadas, e os números publicados são os dessa segunda extração, com os dois arquivos consistentes entre si. O tokenizador do modelo que produziu a carga não é o do gpt-oss-120b; a diferença é da ordem de 20 % e não muda nenhuma razão deste texto. A energia é contada só no tempo gerando; o ócio medido das máquinas somaria, em três anos ligada 24/7, US$ 69-142 no Spark e US$ 1-18 no Mac — e, na PRO 6000, US$ 54-63 só da placa, porque o hospedeiro não foi medido em ócio por ninguém. Não medi nenhuma das quatro máquinas pessoalmente. Toda conta sai dos programas do dossiê; a prosa não faz aritmética.

Fontes

Preços, especificações e velocidades verificados em 25/08/2026. Os números da carga desta máquina são agregados de uso, publicados sem nenhum conteúdo de conversa. Não reverifiquei a contagem de likes das duas imagens virais.