O Brasil tem entre 21 e 26 gigawatts de data center na fila de conexão à rede elétrica e nenhum número oficial sobre o que essa fila vai consumir. Na véspera de eu começar esta apuração, em 1º de setembro de 2026, o Senado aprovou o regime tributário que acelera a fila.
Fui conferir os números que circulam sobre energia de inteligência artificial, um por um, contra a fonte primária de cada um. Seis dos sete que decidem essa conversa estavam com a ficha técnica trocada — e o sétimo, o único que decidiria alguma coisa aqui dentro, não existe.
Nota metodológica. Cada número abaixo foi lido por mim no documento original — relatório, paper, tabela de submissão ou posicionamento oficial —, não em quem repercutiu. Quando eu mesmo calculei alguma coisa (uma razão, uma soma, uma variação), o cálculo está no repositório público linkado no fim, com teste travando o valor publicado. As buscas de comunidade cobriram X/Twitter e Hacker News: o Reddit ficou fora, porque a interface pública devolveu erro 403 em todos os tópicos e o caminho alternativo devolveu 429. Também não houve publicação de Sasha Luccioni, Alex de Vries ou Jonathan Koomey na janela de seis meses que eu varri — os três nomes que normalmente ancoram esse debate estavam calados no período.
| # | O número que circula | O que a fonte primária diz |
|---|---|---|
| 1 | 0,34 Wh por pergunta (OpenAI) | ❌ frase solta num texto do presidente da empresa, sem metodologia, sem modelo e sem link |
| 2 | 0,24 Wh por pergunta (Google) | ⚠️ correto, mas exclui o treino do modelo — o próprio paper diz que deixou isso para depois |
| 3 | "33 vezes mais eficiente em 12 meses" | ⚠️ 23 vezes disso é troca de modelo, não eficiência de engenharia |
| 4 | "25 vezes mais eficiência energética" (Nvidia GB200) | ❌ número projetado, e sem nenhuma medição de potência submetida nas três últimas rodadas do MLPerf Inference |
| 5 | "Estudo da FGV: 26,7% cai para 17,7% com o REDATA" | ❌ o estudo é da Brasscom, e 17,7% ainda é mais caro que os Estados Unidos |
| 6 | "TikTok em Pecém: 4,75 GW, 120 vezes São Paulo" | ❌ os 4,75 GW são de outra empresa, no Rio Grande do Sul; Pecém são 300 MW |
| 7 | Quanto os data centers do Brasil vão puxar da rede | ✅ não existe número publicado — e quem deveria publicar diz isso com todas as letras |
A pergunta errada é quanto gasta uma pergunta
Todo mundo que discute energia de inteligência artificial discute a mesma unidade: watt-hora por pergunta. É um número pequeno, simpático e fácil de repetir. E é também um número que muda de tamanho conforme quem mede decide onde a conta começa e onde ela termina.
Pense numa etiqueta de preço que não conta o frete, não conta o imposto e não conta a fábrica. Ela não está mentindo. Ela está respondendo a uma pergunta menor do que a que você fez.
Repare que a corrente tem cinco elos e os números que circulam cobrem os dois primeiros. O terceiro elo — o treino do modelo — está fora por escrito: o paper do Google sobre o consumo do Gemini diz, na letra, "we leave the measurement of AI model training to future work" ("deixamos a medição do treino do modelo para trabalho futuro"). O quinto elo, a rede, não aparece em nenhum dos relatórios de empresa que eu li.
O número mais repetido do mundo sobre energia de IA não tem ficha técnica. Os 0,34 watt-hora da OpenAI saíram de uma frase num texto pessoal de Sam Altman, em junho de 2025, sem dizer qual modelo, sem dizer o que entrou na conta e sem link para uma medição. O 0,3 watt-hora do Epoch AI, que circula como se confirmasse o de Altman, é de fevereiro de 2025 — quatro meses antes. Os dois nunca conversaram; a coincidência de ordem de grandeza é coincidência.
O do Google tem ficha técnica, e é por isso que dá para ver o buraco: 0,24 watt-hora por pergunta com refrigeração, servidor ocioso e perdas elétricas incluídos, e o treino fora. Entre a fronteira larga e a estreita de medição há um fator de 2,4 vezes. Andy Masley, que defende publicamente que o consumo por pergunta é pequeno, calculou que amortizar o treino quase dobra o número — é o argumento vindo do advogado de defesa, não do promotor.
O mesmo vale para o salto de eficiência que a imprensa chamou de "33 vezes em doze meses". O paper do Google diz, também na letra: "a 33x reduction in per-prompt energy consumption (…) including a 23x reduction from model improvements, and a 1.4x reduction from improved machine utilization" ("uma redução de 33 vezes na energia por prompt (…) incluindo uma redução de 23 vezes por melhorias de modelo e uma de 1,4 vez por melhor utilização de máquina"). Os fatores se multiplicam: 23 × 1,4 dá os 33. Quase todo o ganho é trocar de modelo, não ficar melhor no mesmo modelo — e trocar de modelo é uma decisão de produto, que a empresa pode desfazer amanhã.
Essa é uma lição que já apareceu aqui antes, em outro assunto: o número muda quando muda a régua, não quando muda o mundo. Foi o que aconteceu quando o mesmo modelo de IA mudou de nota ao trocar de ferramenta de avaliação.
O 25x da Nvidia é o único número da lista sem contraparte auditada
A página do GB200 NVL72 anuncia "Energy Efficiency 25X vs. H100" ("eficiência energética 25 vezes maior que a do H100"). A própria página marca o dado como projected performance subject to change ("desempenho projetado, sujeito a alteração"). Até aqui é publicidade normal de fabricante.
O que eu não esperava encontrar é o que veio depois. O MLPerf Inference: Datacenter é a rodada de testes em que a indústria submete resultados auditados; ela tem uma categoria específica em que a potência é medida na tomada, com o consumo real do sistema inteiro durante o teste. Fui contar quantas medições de potência a Nvidia submeteu para a geração Blackwell — a geração do 25x.
Baixei o registro de submissões das três últimas rodadas (v5.0, v5.1 e v6.0) direto do repositório público da MLCommons e contei linha por linha.
| Rodada | Resultados submetidos pela Nvidia | Com potência medida |
|---|---|---|
| v5.0 | 75 | 0 |
| v5.1 | 34 | 0 |
| v6.0 | 61 | 0 |
| Total | 170 | 0 |
Cento e setenta resultados submetidos pela Nvidia nas três últimas rodadas, nenhum com medição de
potência. E não é que a categoria seja impossível de cumprir: na geração anterior a própria Nvidia
cumpria. Os sistemas com sufixo MaxQ são as submissões dela com potência medida, e existem para o
H100 na rodada v4.0 e para o H200 na v4.1 — com os diretórios de medição no lugar, do jeito que a
regra exige.
Repare no que a linha do tempo não diz: ela não diz que a Nvidia se recusa a medir. Eu não sei a intenção de ninguém, e ninguém precisa dessa informação para entender o problema. O que o registro mostra é o que ele contém — e ele contém 170 resultados sem potência. Medir Blackwell é possível, e alguém mediu: a Lenovo submeteu 12 resultados com potência medida em servidores com placas B200, na rodada v5.1. Não foi o fabricante que publica o 25 vezes.
Duas ressalvas honestas, porque elas mudam o tamanho da afirmação. A primeira: isso vale para o MLPerf Inference: Datacenter, mais as poucas linhas da própria Nvidia nas categorias de borda, nas rodadas v5.0, v5.1 e v6.0. Não varri Green500, SPECpower nem as outras suítes do MLPerf, e portanto não afirmo nada sobre elas. A segunda: não dá para comparar esse 25x com o "2,6 vezes" que circula como se fosse a auditoria dele. São grandezas diferentes — o 25x é de eficiência energética, o 2,6x é de desempenho puro por placa, e sai de um blog da própria Nvidia. Parear os dois seria eu cometendo exatamente o defeito que este artigo veio catalogar.
A conta média esconde quem paga a conta
Antes de sair de watt-hora por pergunta, vale olhar o que a média esconde — porque é o mesmo mecanismo que vai esconder o Brasil daqui a três seções.
Um preprint de junho de 2026, de pesquisadores de Michigan, Cambridge e Aberdeen, mediu o consumo de energia de modelos de linguagem abertos em 122 idiomas, com o mesmo conjunto de perguntas traduzido para todos. A distância entre o mais barato e o mais caro é de 179 vezes.
Eu ia escrever este trecho de outro jeito. A versão que eu tinha na cabeça era "a unidade que o mundo discute foi medida em inglês, e você, que lê em português, paga mais". Fui conferir a tabela e a segunda metade é falsa: o português é a segunda língua mais barata das 122, atrás só do inglês, com 1,47 vez a energia dele. Publicar a versão original teria sido fabricar uma indignação contra a minha própria fonte.
O que a tabela mostra é pior, e não é conosco. A divisão existe e é brutal, só que ela cai sobre quem fala pashto, tibetano e shan — e essas mesmas línguas recebem a resposta errada com muito mais frequência. O shan gasta 175 vezes a energia do inglês para acertar 10,6% das vezes, contra 94,6% do inglês. A conta média some com quem paga mais e recebe menos.
Três ressalvas que não cabem em rodapé. É um preprint, sem revisão por pares. Os modelos medidos são abertos e rodaram numa placa de cluster acadêmico, com contador de hardware, não com medidor de tomada: os joules absolutos não são comparáveis com o "0,3 watt-hora" de produção, e só as razões entre línguas viajam. E parte da diferença não é a língua ser mais longa — é o modelo travando em repetição quando o idioma é mal coberto pelo treino, o que é defeito de engenharia, não custo intrínseco do idioma. O próprio paper dá dois valores para o mesmo par inglês-pashto: 179 vezes na tabela principal e 187,8 na Tabela 5, que é a que alimenta a figura acima. Uso os 179 que os autores assinam e registro a diferença aqui.
A pergunta certa é quantos megawatts entram na rede, em que rede, em que ano
Watt-hora por pergunta não decide nada. Nenhuma distribuidora de energia planeja subestação com esse número, nenhum órgão de planejamento dimensiona linha de transmissão com ele. O que decide é quanta potência entra na rede, em qual rede e em que ano.
Nos Estados Unidos esse número é publicado. O Laboratório Nacional Lawrence Berkeley projeta que os data centers do país consumam 649 TWh em 2030, o equivalente a 11,8% de todo o consumo elétrico americano, numa faixa de incerteza de 521 a 843 TWh. Mas o número que quase ninguém repercutiu é outro, e está no mesmo relatório.
De cada três unidades de crescimento elétrico americano até 2030, uma é data center. É uma frase muito mais dura que "11,8% do consumo", e ela estava na mesma página. O relatório também diz uma coisa que contraria o senso comum: o cenário que mais empurra a projeção para cima não é treinar modelos maiores, é servidor de inferência parado, ocioso, esperando pergunta. Sozinho, esse cenário leva a projeção a 782 TWh.
Uma nota de conferência sobre a fonte que me trouxe até aqui: um levantamento alemão bem feito, que acerta o LBNL, acerta a EPRI e acerta a maior parte da Agência Internacional de Energia. Ele erra num ponto que qualquer leitor confere com uma divisão — repete "cerca de 1,5% do consumo global" para 2024 e para 2025, dizendo no mesmo texto que o consumo subiu 17% entre os dois anos. Para a participação ficar parada, o consumo elétrico do mundo teria de ter crescido 17% em um ano. Não cresceu. A própria Agência Internacional de Energia dá o valor certo: 1,7% em 2025, indo para cerca de 3% em 2030.
Quem mede publica até o endereço — e a América Latina não tem endereço
A Microsoft publica um documento anexo ao relatório de sustentabilidade em que lista o consumo de eletricidade dos seus data centers localidade por localidade. São 29 endereços, de Dublin a Boydton, na Virgínia, somando 15.931.489 MWh — 43% de toda a eletricidade da empresa.
Dessas 29 localidades, uma única fica na América Latina: Querétaro, no México, com 6.362 MWh. Só que outra tabela do mesmo documento informa o consumo da região inteira: 661.556 MWh no ano fiscal de 2025.
A subtração é de uma linha: 661.556 menos 6.362 dá 655.194 MWh — 99,04% do consumo latino-americano da Microsoft sem localidade publicada. E o fecho está na tabela de metodologia do mesmo documento, onde a empresa cita o Brasil pelo nome: ela usa o fator médio de emissão do Ministério da Ciência e Tecnologia brasileiro para calcular a emissão da eletricidade que consome aqui. Ela sabe quanto consome no Brasil. Ela calcula a emissão disso. E não publica o número.
A ressalva obrigatória: essa tabela cobre só data centers próprios, com controle operacional, e exclui localidades que "coletivamente representam menos de 1%" do total. A ausência do Brasil é compatível com capacidade alugada de terceiros ou com esse limiar de corte, e o documento não diz qual dos dois é o caso. Eu também não sei, e não vou inventar a causa: o que está registrado é a ausência.
Quem não mede é o Brasil, e quem deveria medir diz isso por escrito
A Empresa de Pesquisa Energética fez em outubro e novembro de 2025 a primeira coleta de dados de consumo de data centers do país, cobrindo entre 65% e 82% do mercado, e registrou numa apresentação de dezembro que "os dados desta coleta ainda não estão refletidos" no plano de expansão. Não é que o número seja ruim. É que ele ainda não existe.
Enquanto isso, a fila cresce.
Entre 21 e 26 gigawatts em pedidos de conexão até 2038, contra algo entre 300 e 600 megawatts operando hoje. A barra menor é tão pequena na escala da maior que quase some — e é essa a proporção real. Nem todo pedido de conexão vira data center: a fila é intenção, não obra. Mas é exatamente por isso que ela precisaria estar medida e publicada, do jeito que o Lawrence Berkeley publica a americana. Nos Estados Unidos esse mesmo padrão — fila muito maior que obra — já está maduro o bastante para que condados da Virgínia estejam discutindo moratória.
E o regime que puxa essa fila ainda não é lei. O projeto que cria o REDATA foi aprovado na Câmara em fevereiro de 2026 e no Senado em 1º de setembro de 2026 — a véspera desta apuração. Está aguardando sanção presidencial. Quem escrever "o Brasil aprovou o regime" sem essa distinção está adiantando um passo que não foi dado.
Os números brasileiros que circulam já estão com o dono trocado
Duas vezes, ao rastrear números brasileiros deste assunto, eu cheguei na fonte e encontrei outra coisa. Não são erros de digitação: são números que trocaram de dono no caminho.
O primeiro caso é o estudo da FGV que não é da FGV. Circula que "um estudo da FGV mostra que o custo de um data center no Brasil é 26,7% maior que nos Estados Unidos, e cai para 17,7% com o REDATA". Fui ler o relatório. Na página 59 está escrito que um estudo preliminar da Brasscom — a associação das empresas de tecnologia, não a FGV — é que estima esses valores; que o relatório da FGV Projetos foi encomendado por operadores de data center; e, principalmente, que os 17,7% ainda são mais caros que o padrão americano. A paridade, diz a mesma frase, só chega com o REDATA somado a um ajuste de ICMS. O post que circulou cortou justamente a metade que muda a conclusão.
O segundo caso viajou 2.900 quilômetros. Circula que o data center do TikTok em Pecém, no Ceará, vai chegar a 4,75 gigawatts, mais de 120 vezes os 39 megawatts de São Paulo. Os 4,75 gigawatts existem, e são reais — só que são da Scala Data Centers, num campus chamado AI City, em Eldorado do Sul, no Rio Grande do Sul. O projeto de Pecém, segundo posicionamento oficial do Governo do Ceará em agosto de 2026, é de 300 megawatts brutos, 200 deles para tecnologia da informação, com operação prevista para o último trimestre de 2027.
É a mesma corrente da primeira figura, com outro conteúdo: cada elo é defensável sozinho, e o resultado no fim é falso. Com o número certo, a razão contra São Paulo não é 120 vezes: é 7,7. Continua sendo muito. Só não é o que se disse.
Isso é um parente próximo de uma lição que já apareceu aqui: a estatística que circula pode ser milhares de vezes menor que a alegação — e o mecanismo é sempre o mesmo, um número correto que perde a etiqueta de origem no caminho.
O trunfo real é o carbono, e a restrição real é a água
O argumento de venda do Brasil como destino de data center é a matriz elétrica limpa, e ele é verdadeiro. Calculado com os números oficiais de cada país, o mesmo megawatt-hora consumido aqui emite uma fração do que emite lá.
46,1 gramas de CO2 por kWh no Brasil, contra 348 nos Estados Unidos: sete vezes e meia menos carbono pelo mesmo consumo. É um trunfo real, e é raro um país ter um argumento tão limpo.
Só que carbono não é a restrição aqui. Água é. Os dois maiores polos de data center do país, Ceará e São Paulo, estavam em novembro de 2025 entre os oito estados com seca em 100% do território. No projeto mais adiantado, em Caucaia, no Ceará, a outorga estadual liberou retirada de 144 mil litros de água por dia, contra 19,7 mil litros declarados no licenciamento — 7,3 vezes mais. E o Ministério Público Federal recomendou, em maio de 2026, suspender o início da operação até que consulta indígena e monitoramento hidrogeológico estejam regularizados.
Quando a restrição real é outra que a discutida, o gargalo não se move — e essa é uma lição que já vale para qualquer sistema com um só gargalo de verdade.
A comparação que eu não fiz, e por quê
Você deve ter reparado que este artigo não traduziu nenhum consumo em "equivalente a tantas residências". É a comparação favorita de quem escreve sobre isso, minha inclusive, e a própria reportagem de onde saiu o número oficial de Pecém usa o recurso já no título: o consumo dos data centers do Ceará "equivalente a 7 milhões de residências".
Deixei de fora porque o órgão ambiental do estado, a Semace, contestou o recurso na mesma reportagem: a comparação "deve ser analisada com cautela", porque o data center opera 24 horas por dia com carga concentrada, a residência oscila ao longo do dia, e a métrica doméstica não conta o consumo indireto de energia por serviços e espaços públicos. A objeção é boa e vale contra mim tanto quanto contra qualquer outro. A comparação com residências dá escala, não dá equivalência — e um artigo que passou sete seções cobrando ficha técnica de número alheio não tinha como usar essa.
O que precisaria ser publicado
Não é preciso inventar instituição nova nem esperar tecnologia nenhuma. O que falta já é publicado em outros lugares, no mesmo formato:
- Carga contratada por empreendimento, com localidade e ano de entrada. É o que o Lawrence Berkeley publica nos Estados Unidos e o Bitkom publica na Alemanha. A Empresa de Pesquisa Energética já coletou o dado; falta publicá-lo separado no plano de expansão.
- A fila separada da obra. Pedido de conexão não é data center. Publicar os dois números lado a lado — solicitado e energizado — resolve metade da confusão que este artigo catalogou.
- Outorga de água ao lado da carga elétrica. No projeto mais adiantado do país os dois números já divergem por um fator de 7,3, e eles vivem em bases de dados que não se falam.
- Potência medida, não projetada, por quem vende eficiência. A categoria existe, é auditada, e o fabricante que anuncia 25 vezes já a cumpriu na geração anterior.
Enquanto isso não existe, a única defesa do leitor é a mais chata: perguntar de quem é o número antes de perguntar se ele é grande. Quase todos os números desta apuração eram verdadeiros em algum lugar — só não no lugar onde estavam sendo usados. O mais repetido de todos não era verdadeiro em lugar nenhum, porque nunca teve onde ser conferido.
Os cálculos que eu fiz para este artigo — a contagem das submissões do MLPerf Inference, a série dos leilões do PJM, a variação do preço residencial americano, a soma das localidades da Microsoft e a tabela das 122 línguas — estão no repositório público linkado abaixo, com teste travando cada número que apareceu aqui. Rode e confira. Se der diferente, me mande: eu atualizo o texto e credito.
Fontes
- LBNL, 2025 United States Data Center Energy Usage Report
- IEA, Energy and AI Observatory — Key Questions on Energy and AI (2026)
- Google, 2026 Environmental Report
- Google, Measuring the environmental impact of AI inference (arXiv:2508.15734)
- Microsoft, Environmental Data Fact Sheet 2026
- MLCommons, MLPerf Inference: Datacenter
- Deng et al., The Language-Energy Divide (arXiv:2606.21869v1, preprint)
- EPE, Coleta de dados de data centers na distribuição (dez/2025)
- FGV Projetos, Custo Brasil para data centers
- Governo do Ceará, posicionamento sobre o data center de Pecém — Diário do Nordeste, 31/08/2026
- U.S. Department of Commerce, Brazil: Energy Demands and Data Center Growth
- Gradually.ai, KI-Energieverbrauch: Statistiken 2026 — o levantamento alemão conferido neste artigo
- Andy Masley, sobre amortizar o treino no consumo por pergunta
- Repositório companion com os cálculos próprios deste artigo
